[GER-HU] 11.1 – Apostila

HISTÓRIA DO BRASIL I

Nessa aula vamos abordar os principais assuntos desde o descobrimento do Brasil até o início do século XX. Lem­brando que os principais ciclos econômicos e escravidão já foram abordados na aula 08.

 

1) Descobrimento (séc. XVI):

A esquadra de Pedro Alvares Cabral avistou o Monte Pascoal em 22 de Abril de 1500. Nesta data comemoramos o descobrimento do Brasil. As primeiras expedições foram apenas para conhecer o território e a partir de 1530, inicia­ram a colonização. Dividiram o Brasil em quinze faixas de terras, as Capitanias Hereditárias, que foram divididas em sesmarias, formando os primeiros latifúndios, que eram grandes propriedades, monocultoras, com trabalho escravo e a produção voltada para a exportação. A esse modelo também damos o nome de plantation.

Neste contexto foi estabelecido o Pacto Colonial, onde o Brasil só poderia fazer comércio com Portugal, que era a Metrópole do Brasil. Logo os portugueses compravam os produtos brasileiros a um preço bem pequeno e vendiam com o máximo de lucro possível na Europa.

 

2) Invasões Holandesas (Séc. XVII):

O nordeste brasileiro foi invadido a primeira vez em 1624, por uma armada de 26 navios holandeses e mais de 3.000 homens que chegaram a Salvador e conquistaram rapida­mente o território. Porém, os portugueses organizaram um contra-ataque e atravessaram o Atlântico com 56 navios e 12 mil homens e reconquistaram Salvador. Foi a maior armada a atravessar o Atlântico.

Em 1630, mais uma vez os holandeses invadiram o nordeste brasileiro. Desta vez em Pernambuco, a região mais rica e com o maior número de engenhos. Os holandeses tinham quase setenta navios e aproximadamente sete mil homens. Desta vez ficaram no Brasil até 1654, quando foram expulsos pelos portugueses. Nesse tempo que passaram pelo Brasil, os holandeses aprenderam a trabalhar com os Engenhos de açúcar, e tornaram-se nossos concorrentes, derrubando os preços do açúcar e prejudicando esse ciclo econômico.

 

3) Brasil (Séc. XVIII):

Portugal passava por dificuldades financeiras. O açúcar já não dava tanto dinheiro e a sua dívida com a Inglaterra só aumentava em função do tratado de Methuen, conhecido como tratado de Panos e Vinhos. No final do século XVII, os bandeirantes paulistas encon­traram ouro em Minas Gerais e o início do século XVIII, foi marcado pela corrida do ouro, dando uma nova perspectiva econômica a Portugal.

Milhares de pessoas abandonaram Portugal na esperança de enriquecer no Brasil. A região não estava preparada para abrigar tantas pessoas e a fome era realidade. O tropeiro foi uma figura muito importante nesse período, pois transportava da região Sul do Brasil mantimentos e ani­mais. Na rota dos tropeiros surgiram varias cidades, como por exemplo, Castro e Vila Velha no Paraná. Tivemos muitas disputas na região do ouro, entre indígenas, paulistas, portugueses e também entre os que chegaram primeiro e os atrasados. Milhares de pessoas morreram. E o início do século XVIII foi marcado por inúmeros conflitos e revoltas.

Alguns impostos eram muito comuns, como o quinto, onde 20% de todo ouro encontrado deveria ser entregue à coroa portuguesa. Muito ouro saiu do Brasil para Portugal, mas era entregue à Inglaterra, já que Portugal estava endividado.

 

4) Inconfidência Mineira:

No final do século XVIII, havia bem menos ouro no Brasil e o descontentamento por parte das autoridades portuguesas, que queriam realizar a derrama. Chegavam ao Brasil os ideais iluministas, baseados na razão e no pensamento científico. Além disso, a notícia da Inde­pendência dos Estados Unidos mexeu com os ânimos de alguns revoltosos. Cerca de noventa rebeldes planejavam uma rebelião para conquistar a independência de Minas Gerais. Muitos deles haviam estudado na Europa, onde tiveram contato com os ideais iluministas.

Embora o movimento discordasse em alguns pontos, como a forma de governo a ser adotada e se iriam ou não manter a escravidão, tinham um ideal comum que era a independên­cia. Mas o movimento foi delatado por Joaquim Silvério dos Reis, para se livrar de dívidas. Os integrantes desse movimento foram presos e condenados à morte. Porém, eram pessoas influentes na cidade e forma exilados na África. Apenas Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi condenado à forca, como um castigo exem­plar, tornando-se herói desse movimento.

 

5) Família Real no Brasil (1808):

Napoleão Bonaparte impôs um Bloqueio Continental a todas as nações europeias para que não comercializassem com a Inglaterra. Portugal não respeita esse bloqueio e seu territó­rio foi invadido pelos franceses. Mas a família real e a corte portuguesa fugiram para o Brasil, escoltados pelos ingleses. Com isso, a Inglaterra torna-se a única opção de comér­cio para o Brasil e temos o fim do Pacto Colonial. Outras mudanças foram necessárias, como a liberdade de culto aos ingleses e o fim da inquisição. O Rio de Janeiro passou a se modernizar com a família real presente e várias instituições foram criadas (como o Banco do Brasil e escolas superiores).

Porém, após a derrota de Napoleão em 1815, os portugueses passaram a exigir a volta de Dom João VI, já que Portugal estava sendo governado por um militar inglês. Dom João VI, volta para Portugal, levando todo o ouro do Banco do Brasil e D. Pedro fica como Príncipe Regente, tendo que resolver com muitos problemas.As elites não querem mais depender de Portugal e não querem de volta as antigas práticas, como o Pacto Colonial. Após várias pressões, D. Pedro viaja para São Paulo e as mar­gens do Rio Ipiranga, no dia 07 de Setembro de 1822, declara o Brasil Independente.

 

6) Dom Pedro I:

O governo de Dom Pedro foi marcado por vários conflitos, primeiro pelo reconhecimento da Independência e depois de movimentos republicanos separatistas, como a Conferência do Equador. Uma forte crise surgiu após a morte de Dom João VI, em Portugal. Dom Pedro era o herdeiro natural de Portugal, mas também Imperador do Brasil. Dom Miguel, irmão de Dom Pedro aplica um golpe de Estado e torna-se rei de Portugal.

Dom Pedro, organizou forças militares, com recursos brasileiros para enfrentar seu irmão em Portugal. Foi muito criticado aqui, por estar mais preocupado com Portugal. Alguns anos depois (1834), Dom Pedro consegue a vitória e proclama a sua filha Maria da Glória, rainha de Portugal. Dias depois ele morre vítima de tuberculose, aos 36 anos.

 

7) Período Regencial:

Nesse período tivemos uma sequência de governos provi­sórios até que Dom Pedro II atingisse a maioridade. Foi um período de fortes instabilidades e disputas, até que em 1840, anteciparam a maioridade de Dom Pedro II, que assumiu o reinado aos 15 anos. A partir de então, várias revoltas eclodiram no Brasil, como a Cabanagem, a Guerra dos Farrapos e a Balaiada.

 

8) O Império Brasileiro:

Dom Pedro II teve que conter várias revoltas e ainda con­trolar as disputas entre os conservadores e liberais. Dentro desse período, tivemos a Guerra do Paraguai, que colabo­rou para o desgaste da monarquia Brasileira. O Paraguai desenvolvia-se muito desde a sua independência em 1811 e buscava a autossuficiência. Passou a se industriali­zar a partir de 1840 e atingiu grande grau de desenvolvimento.

O exército paraguaio era muito superior ao do Brasil e da Argentina somados. E por isso, em maio de 1865, Brasil, Argentina e Uruguai fizeram uma Tríplice Aliança. Mesmo assim, ainda tinham muitas dificuldades e mobilizaram os “voluntários da pátria” para formar o exército, além da par­ticipação de escravos que seriam libertados após a guerra. A Tríplice Aliança foi apoiada financeiramente pela Inglater­ra, que tinha interesses em não ter concorrentes na América do Sul. Logo, após a vitória, Brasil, Argentina e Uruguai ficaram com uma dívida muito grande com os ingleses. Além disso, o exército após a guerra passou a querer mais participação na política, e surgem ideais republicanos aqui no Brasil, contribuindo para o enfraquecimento do Império brasileiro.

[GER-HU] 10.1 – Apostila

IDADE CONTEMPORÂNEA II

1) Mundo dividido:

Após o final da Segunda Guerra Mundial, EUA e URSS que eram aliados, passaram por uma série de desentendimentos e dividiram o mundo com sua influência ideológica. O lado ocidental era representado pelos EUA capitalista e o lado oriental representado pela URSS socialista. Esse conflito é conhecido na história como Guerra Fria, mas antes de estuda-la, vamos compreender melhor esses dois sistemas socioeconômicos.

 

2) Capitalismo:

O capitalismo é um sistema socioeconômico onde os meios de produção têm um dono e a base para o seu funcionamento é o lucro. A concorrência é um fator muito importante no capitalismo, pois graças a ela temos a melhoria das mercadorias e avanço tecnológico.

A sua primeira fase é a clássica (também chamada de mercantilismo) onde tivemos a acumulação primitiva de capital, exploração de colônias e exportação dos produtos. As nações que mais se destacaram nesse período foram Portugal, Espanha, Inglaterra e França, pois eram as maiores colonizadoras, explorando escravos e acumulando metais preciosos. A segunda fase é a Industrial, marcada pelo aumento da produção, extração de matéria prima e do consumo. Além disso, tivemos uma grande exploração do trabalho e uma enorme desigualdade social.

A terceira fase é a financeira onde é forte o mercado de ações e é comum a união de indústrias e bancos. Essa fase é marcada pelo monopólio, quando uma única empresa concentra um setor da economia e também o oligopólio, quando um grupo de empresas se une, impedindo a concorrência de empresas menores.

 

3) Socialismo:

Nas economias socialistas o Estado detém todos os meios de produção, não havendo concorrência. Também podem ser chamadas de economias planificadas, já que o governo estabelece um plano econômico, independente das exigências do mercado. Em outras palavras, o Estado define e padroniza o que será produzido. O ideal desse sistema socioeconômico seria o de acabar com a luta de classes e a desigualdade social existente no capitalismo. Assim, poderíamos evoluir para o comunismo, onde não existiriam classes sociais e o Estado seria abolido, pois teríamos uma sociedade mundial.

É valido ressaltar que as economias socialistas ao longo das décadas foram sendo superadas e os países adotaram novamente o capitalismo. Algumas nações ainda persistem nesse modelo, como Cuba e Coreia do Norte. A China, ainda mantém-se fechada politicamente, mas há alguns anos abriu sua economia para o sistema capitalista.

 

4) Guerra Fria:

Como vimos após Segunda Guerra Mundial o mundo se dividiu em Capitalista e Socialista, gerando um forte clima de tensão entre EUA e URSS, o que poderia levar à Terceira Guerra Mundial. Mas desta vez, seria uma guerra nuclear, o que ameaçaria a vida humana no planeta. Neste contexto surge a ONU (Organização das Nações Unidas), na tentativa de garantir a paz mundial e teve apoio de 51 países, entre eles o Brasil.

A Europa estava destruída e precisava ser reerguida. Neste contexto, o presidente dos EUA ofereceu ajuda financeira para os países que adotassem o capitalismo. Era o Plano Marshall, que foi uma clara tentativa de conter o avanço do socialismo na Europa. O Leste Europeu ficou sob o domínio soviético, onde o Socialismo avançou. Assim o lado ocidental da Europa ficou sob o domínio dos capitalistas, enquanto o lado leste sob o domínio socialista, existindo o que chamamos de Cortina de Ferro, dividindo os dois blocos.

É importante destacar que os EUA ajudaram na recuperação do Japão. Parece incoerente, mas era preciso evitar o avanço do socialismo na Ásia. Na Alemanha tivemos sempre os maiores pontos de tensão. Berlim dividida entre os capitalistas e socialistas. Em 1961, a URSS construiu um muro (Muro de Berlim), dividindo a capital, impedindo assim a migração do lado socialista para o capitalista.

Militarmente dois grupos foram criados. Do lado Capitalista temos a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que era uma aliança contra os socialistas, liderados pelos EUA. Do lado socialista tivemos o Pacto de Varsóvia. O perigo dessas alianças era provocar um conflito de proporções mundiais.

 

5) Corrida Armamentista e Espacial:

Era evidente que EUA e URSS se preparavam para uma possível guerra. Já em 1949, a URSS faz os seus primeiros testes nucleares e a busca por armas de destruição em massa eram cada vez mais recorrentes. A corrida espacial foi uma demonstração de desenvolvimento tecnológico, e as duas nações faziam questão de demonstrar esse poder, tentando dessa forma provar a superioridade do seu modelo. Em 1957, a URSS conseguiu lançar o seu primeiro satélite artificial, largando na frente. O novo objetivo era desenvolver mísseis de longo alcance e com maior precisão e como poderiam ser lançados por submarinos, todo o planeta estava ameaçado.

Em 1962, a URSS instala bases militares em Cuba e os EUA determinam um bloqueio naval a esse país. O medo era o da URSS furar o bloqueio e iniciar o conflito. Esse problema ficou conhecido como a Crise dos Mísseis. A pressão mundial fez com que eles assinassem um acordo de não proliferação das armas. A década de 1960 foi o auge da campanha espacial russa. Após lançar o satélite, ainda tivemos outros feitos que viraram notícia mundial. Como lançar o primeiro cachorro para o espaço, a primeira mulher e ainda coletaram material da Lua para análise.

Em resposta, John Kennedy prometeu que até o fim da década de 1960 eles seriam capazes de levar o homem à Lua e trazer de volta a Terra com segurança. Essa façanha foi conquistada em 1969, com a Apollo 11, em uma missão muito arriscada e cheia de problemas. É importante ressaltar que alguns conflitos armados ocorreram entre capitalistas e socialistas durante a Guerra Fria. Foi o caso da Guerra das Coreias, do Vietnã e do Afeganistão, mas não envolveram diretamente os EUA e URSS, que prestaram apoio logístico e bélico.

O fim da Guerra Fria ocorreu quando Mikhail Gorbatchev assume o poder na URSS e declara que o socialismo está falido. Anos investindo em armas e em missões ao espaço fizeram a URSS não ter recursos para investir adequadamente em infraestrutura básica. Logo Gorbatchev apresentou reformas econômicas e políticas, conhecidas como Perestroika e Glasnost, que abriu a URSS ao mercado externo e deu transparência à política, permitindo o surgimento de novos partidos. Nesse contexto, a luta entre EUA e URSS, perdeu o sentido, pois a URSS com a abertura econômica, torna-se capitalista. Em 1989 derrubam o muro de Berlim, e este fato simboliza o final da Guerra Fria.

[GER-HU] 12.1 – Apostila

HISTÓRIA DO BRASIL II

1) Proclamação da República:

A partir de 1880, vários episódios contribuíram para a queda da monarquia no Brasil. Primeiro, o endividamento após a Guerra do Paraguai que também contribuiu para o fortaleci­mento dos militares que eram republicanos e abolicionistas. Além disso, a elite agrária do Brasil passou a fazer forte opo­sição a Dom Pedro II, pois se sentiam prejudicados após a abolição da escravatura. E o crescimento da classe média que também era republicana. Foi assim que um levante militar dirigido por Marechal Deo­doro da Fonseca obrigou D. Pedro II a abdicar, no dia 15 de Novembro de 1889, proclamando a República no Brasil.

 

2) República dos Coronéis:

Os primeiros anos da república no Brasil foram caracteri­zados por forte autoritarismo dos governantes. Também podemos chamar este período de Oligarquia, que significa poucos no poder, no caso a elite rural que governava o Brasil. Era muito comum o voto de cabresto, onde o resultado das votações era combinado e muitas vezes alterados a favor das oligarquias. Não havia soberania popular, ou seja, a vontade da maioria não era respeitada.

Outro fator importante a ser considerado foi a Política do Café com Leite, quando o Partido Republicano Paulista (PRP) se une ao Partido Republicano Mineiro (PRM) para indicar os candidatos à presidência. Nesse período conhecido como República Velha (1889 – 1930) as cidades no Brasil não paravam de crescer. Movi­mentos operários eram cada vez mais constantes e greves eram organizadas e o ciclo da borracha viveu o seu auge. Economicamente o café passou por sua pior crise em 1929, no governo de Washington Luiz, gerando uma grande crise econômica, pois era o nosso principal produto exportado.

3) Fim da República Velha:

O ano de 1930 foi muito conturbado. O desentendimento do PRP com o PRM colocou fim a República do Café com Leite e tivemos uma forte disputa pelo poder. Júlio Prestes vence as eleições, mas após muita confusão, não pode assumir e Getúlio Vargas assume, em um governo provisório. Essa é a Revolução de 1930.

 

4) Getúlio Vargas – Governo Provisório (1930 – 1934):

O governo provisório de Vargas deveria durar até o rees­tabelecimento da ordem. E ele tomou medidas drásticas como anular a constituição e substituir os governadores dos Estados brasileiros por tenentes. Também tratou de resolver a crise do café, mandando quei­mar os estoques para reestabelecer a produção. Além disso, exercitou o populismo, com várias medidas que beneficia­vam as massas trabalhadoras, como a criação de um salário mínimo, ganhando apoio das massas populares, chegando a ser chamado de pai dos pobres.

O ano de 1932 foi marcado pela Revolução Constitucio­nalista de São Paulo, pois os paulistas que estavam fora do poder exigiam que a nova constituição brasileira fosse elabo­rada. Foi uma guerra civil, vencida pelo governo, deixando milhares de mortos. Porém, cedendo a pressões, Vargas inicia uma Assembleia Constituinte que elaborou a Constituição Brasileira de 1934, que dava o direito de Vargas Governar até 1938.

 

5) Governo Constitucional de Vargas (1934 – 1937):

Este foi um período muito tenso do governo brasileiro, marcado pelo crescimento do Partido Comunista e do medo da população de uma Revolução Socialista, a exemplo da Revolução Russa. Algumas revoltas ocorreram, mas foram reprimidas pelo governo.

Pessoas ligadas ao governo de Vargas forjaram um plano comunista para tomar o poder no Brasil, chamado de Plano Cohen. Esse plano foi lido na radio para todo o Brasil e colo­cando a população em pânico. O resultado foi que Vargas mandou fechar a Câmara e o Senado e passa a governar sem limite de poderes. É o início do Estado Novo.

 

6) Estado Novo:

Esse foi um período de forte censura à imprensa. Vargas am­plia a legislação trabalhista, aumentando a sua popularidade e inicia um projeto de industrialização do Brasil. Com o início da 2ª Guerra Mundial, consegue o financia­mento de algumas empresas nacionais, como a CSN. Nesse período o Brasil entra na Guerra ao lado dos EUA. Com o Brasil estabilizado politicamente, Vargas anunciou as eleições para 1945. Havia dúvidas se ele permaneceria no cargo, mas foi eleito Eurico Gaspar Dutra e Vargas promete voltar “nos braços do povo”.

 

7) Governo de Dutra:

Esse governo foi marcado por forte oposição aos comunistas e o rompimento das ligações com a URSS. Dutra desenvol­veu o Plano SALTE, investindo principalmente em Saúde, Alimentação, Transporte e Energia.

 

8) O último governo de Vargas (1951 – 1954):

Nesse período a industrialização do Brasil era cobrada pela imprensa e pela população. Havia uma forte discussão para saber se isso seria feito com dinheiro nacional ou capital estrangeiro. Vargas continua com suas medidas populistas, e aumenta em 100% o salário mínimo, porém começa a levantar suspeitas se essas seriam medidas comunistas. Além disso, Vargas era uma ameaça real para a democracia, pois sempre procurou governar de maneira autoritária.

Um atentado a Carlos Lacerda, jornalista que criticava muito Vargas, derruba a popularidade do presidente e faz com que militares pensem em tomar o poder. Diante desta pressão, Getúlio Vargas escreve uma carta e comete suicídio. Então temos um período de comoção nacional, e quem criticava Vargas, passou a ser visto como responsável pelo suicídio pela população. Assume Café Filho, vice de Vargas, até as eleições, vencidas por Juscelino Kubitschek.

 

9) Governo de JK (1956 – 1960):

JK foi um dos presidentes mais populares do Brasil. Em sua política Nacional Desenvolvimentista, criou o Slogan “Cinquenta anos em cinco”. Onde o Brasil cresceria econo­micamente cinquenta anos em cinco de governo. Para isso facilitou a entrada de capital estrangeiro e tratou de incentivar a indústria. Em seu Plano de Metas tratou de investir em infraestrutura, dando destaque para o sistema rodoviário, pois queria incentivar a indústria automobilís­tica, que era estratégica para o crescimento industrial no Brasil. Foi no governo de JK que a nova capital, Brasília, foi construída. Após uma forte inflação e acusações de corrupção, JK perde popularidade e no processo eleitoral é eleito Jânio Quadros e o vice João Goulart.

 

10) Jânio Quadros (1961):

Jânio Quadros foi eleito com a promessa de varrer a corrup­ção do Brasil. A vassoura foi o símbolo da sua campanha. Em um governo muito confuso, conseguiu a oposição da esquerda e direita e em uma tentativa de golpe, manda o vice para a China e pede a renuncia, que é aceita pela Câmara.

 

11) João Goulart (1961 – 1964):

Após muito tumulto e incertezas João Goulart (o Jango) assume a presidência, mas no sistema Parlamentarista, que durou até 1963. Havia uma preocupação muito grande, sobretudo dos militares, se Jango seria uma porta aberta para o comunismo no Brasil. Em 1963, houve um plebiscito e a população escolhe a volta do Presidencialismo. João Goulart ganhou mais poderes e em março de 1964, inicia a sua Reforma de Base. Eram reformas que beneficiavam principalmente os mais pobres, e Jango sofre um Golpe Militar, que o retira do poder. É o início do período militar no Brasil.

 

12) Regime Militar (1964 – 1985):

O regime militar foi um período muito conturbado da história do Brasil. As maiores críticas são sempre feitas com relação à falta de democracia, liberdade de expressão, tortu­ras e misteriosos desaparecimentos de opositores. Os jovens do período manifestavam-se de diversas formas, mas os músicos ganharam bastante destaque e muitos deles foram exilados.

 

13) Marechal Castello Branco (1964 – 1967):

As principais marcas do governo de Castello Branco foi o Ato Institucional n°1, que entre outras coisas, determinou que as próximas eleições para presidente seriam indiretas, ou seja, sem a participação da população.

O Ato Institucional n°2 criou o bipartidarismo, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que era a oposição. O Ato Institucional n°3, foi mais um golpe contra a democracia, pois os gover­nadores seriam escolhidos pelos deputados e os prefeitos de cada município por sua vez deveriam ser escolhidos pelos governadores. Em outras palavras, a população não escolhia nenhum de seus principais representantes. O povo passou a fazer uma série de críticas, sobretudo dizendo que os atos não seguiam a constituição. Logo Castello Branco editou o Ato Institucional n°4, estabelecendo uma nova cons­tituição e legalizando os atos institucionais anteriores.

 

14) Marechal Artur da Costa e Silva (1967 – 1969):

Foi um governo marcado pelo endurecimento do sistema e muitas manifestações, principalmente dos mais jovens. Alguns desses movimentos optaram pela luta armada contra o Regime Militar. Para conter esses movimentos o governo editou o Ato Insti­tucional n°5, o mais famoso dos atos, conhecido como AI-5. Através desse ato o presidente poderia fechar todo o legislati­vo e o poder do executivo passou a ser maior que o judiciá­rio. Além disso, a imprensa passou a ser muito censurada.

 

15) General Emílio Médici (1969 – 1974):

Este governo foi marcado por forte repressão aos opositores, com varias prisões, pessoas torturadas e desaparecidas. Economicamente, tivemos o primeiro Plano Nacional de Desenvolvimento, onde gigantescas construções começaram a ser realizadas ou foram concluídas, como a ponte Rio-Nite­rói, a usina de Itaipu e a Transamazônica.

É verdade que o Brasil passou a crescer muito nesse período, mas não podemos esquecer que foi graças a empréstimos internacionais. Embora muito repressor esse governo ganhou popularidade, pois além do crescimento econômico, tivemos algumas im­portantes conquistas esportivas. A seleção foi tricampeã em 1970, Emerson Fittipaldi foi bicampeão na F-1 e Eder Jofre foi campeão mundial no boxe.

 

16) General Ernesto Geisel (1974 – 1979):

Aqui tivemos o início da abertura, que segundo o presiden­te aconteceria lentamente, para poder ser controlada evi­tando a volta dos subversivos. Ainda assim, tivemos muitas mortes e presos políticos. Economicamente tivemos o Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento, onde a construção civil e o setor energé­tico do país passaram a receber muitos investimentos. Para reduzir a dependência do petróleo internacional, que passa­va por várias crises e elevação dos preços, o governo instituiu o Proálcool, quando o Brasil tornou-se o primeiro país do mundo a usar o álcool como combustível.

 

17) General João Baptista de Oliveira Figueiredo (1979 – 1985):

Figueiredo deu continuidade ao processo de abertura polí­tica, concedendo anistia e a volta do pluripartidarismo. A censura passou a ser cada vez menor e as críticas sobre as dificuldades econômicas do governo aumentaram. Surge a campanha “Diretas Já”, propondo uma emenda constitucional que permitisse o povo escolher o presidente. Essa proposta foi negada pelos militares, que indicaram dois candidatos. Paulo Maluf representando os militares e Tan­credo Neves, oposição. Este último saiu vencedor, mas por problemas de saúde morre antes de assumir. Em seu lugar assume o vice José Sarney. Foi o fim do regime militar.

[GER-HU] 7.1 – Apostila

PRÉ-HISTÓRIA E ANTIGUIDADE CLÁSSICA

1) Introdução:

Para fins didáticos existe uma divisão clássica dos períodos da história que facilitam a sua compreensão. Veja:

 

⇒ Pré-História: do surgimento do homem até a invenção da escrita em aproximadamente 4.000 a.C.

⇒ Antiguidade Clássica: da invenção da escrita até a queda do Império Romano em 476 d.C.

⇒ Idade Média: de 476 à 1453, quando os turcos inva­dem Constantinopla e temos o início das grandes navegações.

⇒ Idade Moderna: de 1453 à 1789, data da Revolu­ção Francesa.

⇒ Idade Contemporânea: de 1789 até os nossos dias.

 

Nas aulas seguintes, veremos os temas mais recorrentes em ves­tibulinhos dentro desses períodos, iniciando pela Pré-História e Antiguidade Clássica.

 

2) Pré-História:

Os primeiros grupos humanos não possuíam nenhuma forma de escrita, mas de certa forma registravam o seu coti­diano através de imagens em rochas, as chamadas pinturas rupestres. Esse período, conhecido por pré-história pode ser dividido:

 

⇒ Paleolítico (Idade da Pedra Lascada): o homem vi­via da caça e coleta. Era nômade, ou seja, não tinha moradia fixa e vivia em pequenos grupos familiares. Grupos maiores representavam maior concorrência pelos alimentos e novas migrações. Neste período o homem domina o fogo.

⇒ Neolítico (Idade da Pedra Polida): o homem passa a desenvolver a agricultura o que possibilita a sedentariza­ção, normalmente nas margens dos rios. Aqui temos o inicio do aumento populacional e o aperfeiçoamento de instru­mentos. Também passamos a ter uma divisão do trabalho primitiva.

⇒ Idade dos Metais: o homem passa a dominar objetos mais resistentes, como o ferro, bronze e cobre. E as sociedades passam a necessitar de maior organização, pois ficam cada vez maiores.

 

O processo de sedentarização ocorreu primeiramente na Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates. Esta região tam­bém é conhecida como Crescente Fértil e está localizada no Oriente Médio, onde hoje está o Iraque. É importante saber que essas terras eram mais férteis e passamos a ter proprie­dades privadas que levaram à desigualdade social. No entanto, também tivemos sedentarização em outras partes do mundo, como nas margens do Rio Nilo, no Egito e nas margens do Rio Ganges, na Índia, formando as primeiras civilizações da humanidade.

 

3) Antiguidade Clássica:

a) Gregos:

Por volta de 3000 a.C. os primeiros povos passaram a habitar a península balcânica, onde hoje é a Grécia, dando origem as primeiras organizações sociais e urbanas dessa região. Os gregos passaram por duas diásporas (separação). A primeira após a invasão dos Dórios, um povo muito violento por volta de 1200 a.C. e a segunda graças ao crescimento populacional. Após a segunda diáspora, os gregos formaram as cidades­-estados, que eram áreas independentes e autossuficientes. Havia a parte urbana e a rural para sustenta-la.

De certa forma, os gregos dividiam o território, mas viviam isolados, cada grupo em uma cidade-estado. Dentre as prin­cipais destacamos Atenas e Esparta.

⇒ Atenas: Atenas se destacou por suas características políticas, mais especificamente a democracia, que podemos definir como a vontade do povo ou da maioria. Perceba que o mundo durante milênios viveu seguindo a ordem de um monarca, enquanto Atenas por volta de 2500 a.C. desenvolveu o prin­cipio democrático que usamos hoje. Inicialmente tínhamos um rei, mas que contava com a partici­pação de uma assembleia que era formada por famílias tradi­cionais e que com o tempo ficou mais importante que o rei. Mais tarde os comerciantes passaram a ter poder econômico e exigir participação na política. Já os pequenos agriculto­res passaram a exigir o direito de não virarem escravos por dívidas.

A organização social passou a ficar mais complexa e tivemos o início da organização das Leis, que eram orais, mas devido à complexidade passaram a ser escrita, surgindo um caderno de leis. A Assembleia era renovada de tempos em tempos e esco­lhida pelos cidadãos. Mulheres, estrangeiros, escravos e menores de 18 anos não poderiam votar. É importante notar que até mesmo o pobre cidadão ateniense poderia votar.

 

⇒ Esparta: Esparta foi fundada numa das poucas áreas férteis da Grécia. Logo para proteger o seu território, o militarismo foi uma característica marcante. A agricultura, portanto é um desta­que econômico. Além disso, eles possuíam um grande número de escravos e para mantê-los submissos era necessário possuir um forte exército ao qual o espartano dedicava grande parte de sua vida, dos 18 aos 60 anos. Porém, pertencer ao exército era uma posição de prestígio, almejada pelo jovem espartano. Uma característica importante da cultura espartana era a de falar pouco e rejeitar os estrangeiros, para evitar o desenvol­vimento de um espírito crítico.

 

b) Mudanças:

O gigantesco Império Persa iniciou uma ofensiva sobre alguns povos gregos que rapidamente acabaram com o seu isolamento e decidiram unir-se para o combate. Quando Atenas e Esparta uniram-se, os gregos conseguiram a primeira vitória sobre o gigantesco império persa, que tinha cinco vezes mais soldados. Esses confrontos entre gregos e persas ficaram conhecidos como Guerras Médicas, onde os gregos saíram vitoriosos e em 448 a.C., assinaram o Tratado se Susã, onde ficou esta­belecido que os persas não atacariam mais a Grécia e suas colônias.

A organização contra os persas deu muito prestígio aos atenienses que continuaram explorando os gregos. Houve sucessivas revoltas e os gregos iniciaram uma guerra contra Atenas, conhecida como Guerra do Peloponeso. Derrotan­do Atenas os gregos foram dominados pelos espartanos. O domínio espartano foi ainda mais pesado do que o ateniense e vários conflitos internos ocorreram, tornando a Grécia cada vez mais fraca. Foi então que a Grécia foi domi­nada pela Macedônia de Alexandre, o Grande, que também dominou o Império Persa, chegando próximo da Índia.

 

c) Roma:

A origem de Roma pode ser associada à lendária história de Rômulo e Remo, meninos que foram salvos e criados por uma loba. Mas o que é certo é que uma pequena vila na península itálica torna-se a capital do mundo, presente em três dos cinco continentes. Na estrutura política, os reis eram aconselhados pelos ho­mens velhos das famílias tradicionais, que eram chamados de Senadores. Os adultos formavam a Assembleia e apenas concordavam ou não com as propostas.

Existia uma clara divisão social, os Patrícios eram a classe mais privilegiada, tinham as maiores e melhores terras. Os Clientes eram parentes distantes dos patrícios e tinham uma vida confortável. Podemos considera-los a classe média. E os Plebeus, que possuíam poucas e pequenas propriedades. A base econômica era a agricultura e pastoreio, com técnicas simples voltadas apenas para o sustento da cidade.

Esse era o período da Monarquia, que termina quando o Rei Tarquínio tenta aproximar-se do povo para ter mais poder e é expulso do trono. Roma passa a ser governada pelos patrí­cios, e temos o início do Período Republicano. No período republicano, as conquistas territoriais ficaram cada vez mais importantes e o exército consequentemente ganha prestígio. Tivemos a distribuição desigual das riquezas e os plebeus que iam para guerra e não conseguiam pagar suas dívidas viravam escravos.

Portanto tivemos várias revoltas da plebe, reivindicando os seus direitos. Como eram fundamentais para as conquistas, tiveram alguns dos seus direitos atendidos. Não virariam mais escravos por dívida e poderiam ter participação na política. No período republicano ocorreram as Guerras Púnicas, entre Roma e Cartago. É importante saber que Roma não perdeu nenhuma dessas guerras. Ela foi atacada duas vezes e na terceira guerra púnica, atacou e ocupou Cartago.

Após várias conquistas surge uma nova classe social, os cavaleiros, que eram plebeus que enriqueceram. A necessi­dade de uma reforma agrária gerou uma crise na república. Patrícios tinham muitas terras e plebeus precisavam de terras. Essa situação acabou com a república e tivemos início da Fase Imperial. O período imperial foi marcado por uma tentativa de conter as crises sociais. Neste contexto surgiu a Política do Pão e Circo. Trata-se de fornecer alimentos baratos ou muitas vezes gratuitos a população e diversão, como a luta entre gladiadores no Coliseu, para que não interfiram na política.

Porém a crise social continua, pois militares, patrícios e cavaleiros disputavam o poder em Roma. Alguns militares assumiram o poder e foram ditadores. Logo era preciso solucionar essa crise. Foi a época dos Triunviratos, ou seja, três pessoas eram co­locadas no poder e deveriam governar Roma. Mas nos dois triunviratos tivemos uma forte disputa pelo poder. No se­gundo e último triunvirato, Caio Otávio torna-se o primeiro Imperador Romana, ganhando o título de Augusto, passando a se chamar Otávio Augusto. Em seu império tratou de centralizar o poder. Sabia que as maiores forças de Roma eram o exército e os plebeus. Por isso, tratou de profissionalizar o exército e intensificar a po­lítica do pão e circo, para reduzir as chances de revolta. Esse foi o período da Pax Romana, ou seja, Paz Romana.

A crise do Império Romano se deu à dificuldade de admi­nistrar um Império gigantesco. Com o fim das conquistas, o número de escravos ficava cada vez menor e eles eram a base da economia romana. Sem as conquistas e os saques aos territórios vizinhos, o exército passou a ser um peso enorme para a economia. Logo sem receber, os soldados passaram a abandonar os seus postos. Com as fronteiras fragilizadas pelo número insuficiente de soldados, os romanos tornaram-se frágeis para aos inimigos. Contrataram povos germânicos para vigiar as fronteiras, mas estes devido ao crescimento da sua população, também atacaram Roma. Lentamente o gigantesco Império Romano foi sendo des­truído, até que no ano de 476 d.C., Roma estava totalmente entregue aos povos bárbaros.

[GER-HU] 6.1 – Apostila

USO DA ÁGUA

1) Introdução:

Este ano é considerado pela ONU o Ano Internacional da Cooperação pela Água. Por isso, todos os assuntos relacio­nados à água são importantes para os vestibulinhos. Fique atento pois nesta aula abordaremos alguns deles.

 

2) Ciclo Hidrológico:

É o ciclo da água, iniciado com a evaporação da água do mar, o seu transporte em direção ao continente, sua precipitação e drenagem em direção ao oceano, fechando ao ciclo. Não podemos esquecer que existem três possibilidades para a água da chuva quando ela chega à superfície. As primeiras gotas evaporam, as próximas vão infiltrar e quando o solo fica saturado, temos o início do escoamento.

A água que infiltra no solo forma o lençol freático, que em um prazo maior, também se dirige para os oceanos. Ou seja, também conclui o ciclo hidrológico. Além disso, é importante conhecer o papel das florestas, que ao realizar a fotossíntese transpira, levando vapor d’água para a atmosfera e ajudando a água a chegar mais no interior do continente. Quando o homem desmata, podemos reduzir a quantidade de precipitação da região desmatada e do entorno.

Uma importante informação é sobre a disponibilidade da água no planeta. Dê toda água disponível, apenas 2,7% é doce. Do total 0,01% são de fácil acesso, ou seja, encontrada em rios e lagos. O restante da água doce está congelada ou nos lençóis subterrâneos.

 

3) Irrigação:

Como sabemos à pluviosidade não é regular em todas as partes do planeta. E por mais que o Brasil possua uma das maiores reservas de água doce do mundo, existem lugares com déficit hídrico, como o sertão nordestino, que usa as águas do rio São Francisco para irrigação e produzir frutas principalmente para exportação. Este rio é um dos maiores do Brasil e as obras de transposi­ção estão em andamento para levar parte de suas águas para lugares ainda mais secos. Esse projeto é conhecido como Transposição do Rio São Francisco, levando água ao semiá­rido brasileiro.

Durante muitos anos o sertão nordestino foi considerado uma das regiões mais pobres do mundo. Os políticos cul­pavam a seca pela pobreza da região. Hoje em dia, sabemos que a pobreza é mais um problema da esfera política do que natural. Um exemplo disso é em Israel, que exporta tecnolo­gia agrícola para plantar em regiões áridas, transformando o que era um deserto em uma área cultivável.

 

4) Pecuária:

A pecuária é uma das atividades que mais consomem água, além de agravar alguns problemas ambientais, como o desmatamento, queimadas, redução da biodiversidade e de­gradação do solo, pois aqui no Brasil ela é extensiva e ocupa muito espaço, já que nesse modelo o gado é criado solto. Ao desmatar ou queimar uma floresta para fazer um pasto, estamos reduzindo a evapotranspiração e consequentemente reduzimos o volume de chuvas. Em algumas regiões de in­tensa chuva, como no norte do Brasil, ao retirar a vegetação nativa, deixamos o solo exposto e aumentamos a lixiviação.

 

5) Polêmicas:

A falta de água no futuro é um problema muito discutido pela mídia, graças ao crescimento populacional. O problema é simples de entender, mas não de resolver. Veja:

 

⇒ a população cresce e consequentemente o consu­mo de água aumenta;

⇒ com o aumento populacional, precisamos do au­mento da produção agropecuária, que além de utilizar mais água, vai devastar florestas para ter mais área para o cultivo;

⇒ com o crescimento populacional ainda temos o aumento da demanda por produtos industrializados. A indústria além de utilizar muita água, ainda é uma das prin­cipais poluidoras dos recursos disponíveis, tornando a água imprópria para o consumo.

 

Por isso é fundamental o uso consciente, evitando o desper­dício, ainda mais em países ou regiões que já sofrem com a falta de água. Outro problema polêmico é o acesso à água potável e ao sa­neamento básico, que é garantido como um direito universal. Mas sabemos que quanto mais pobre é o país, menos pessoas usufruem desse direito, aumentando o número de doentes e principalmente a mortalidade infantil.

A incerteza quanto à manutenção dos nossos recursos hídri­cos, influenciam diversos setores, como os, energéticos, ali­mentação, transporte e também os naturais como os biomas. Quanto ao uso energético, destacamos a construção de hidrelétricas, que precisam de uma grande represa para gerar pressão suficiente para produzir energia e sem água esse setor fica comprometido, afetando as residências e produção industrial.

Sobre a alimentação, a redução da oferta hídrica pode afetar a irrigação e consequentemente a disponibilidade de alimentos, que atualmente é crescente, graças ao aumento populacional, gerando o aumento dos preços com a redução da oferta. Para finalizar, os biomas estão adaptados ao clima, e caso haja alguma alteração com a disponibilidade da água, certa­mente teremos modificações e extinção de espécies.

[GER-HU] 8.1 – Apostila

IDADE MÉDIA E IDADE MODERNA

A Idade Média tem início na queda do Império Romano em 476 d.C. e termina na invasão dos Turcos-Otomanos à cidade de Constantinopla em 1453, quando ocorreu o início das grandes navegações. Nesse período vamos destacar o Feudalismo.

1) Idade Média:

a) Feudalismo

A palavra feudo está relacionada com o uso da terra, e o seu dono era o Senhor Feudal, que vivia em um castelo cercado por enormes muros. É uma sociedade autossuficiente e dividida em classes, o clero e a nobreza no topo da sociedade e os servos na base. Como praticamente não havia possibilidade de mudança social, dizemos que a sociedade feudal era estamental.

Todas as atividades eram voltadas ao coletivo e podemos considerar que o poder nesse período era descentralizado, já que havia vários senhores feudais. Os servos poderiam viver em suas terras, e em troca, deve­ riam pagar vários tributos, como a corveia, onde o servo deveria se dedicar cerca de 50% dos seus dias ao trabalho nas terras do Senhor Feudal e as banalidades, quando ele precisava usar alguma instalação do feudo.

O crescimento populacional gerou a crise no feudo, pois não havia terras para todos e muitos tiveram que sair, passando a se organizar em cidades. Como a vida no feudo era difícil, ao longo dos anos eles ficaram cada vez mais raros e a vida na cidade cada vez mais comum. Logo surge a atividade comercial e os burgueses tornam-se cada vez mais importantes na sociedade europeia.

 

2) Idade Moderna:

O período das Grandes Navegações, as formas de coloniza­ção e a história do Brasil colonial são muito recorrentes nas provas dos vestibulinhos. Portanto, estude muito os assuntos deste período.

a) Grandes Navegações

Os turcos fecharam a passagem até as Índias, por onde era feito o comércio de especiarias (canela, gengibre, pimenta e outros temperos). Logos alguns povos europeus lançaram-se sobre os mares para tentar encontrar uma nova rota para Índia. A evolução das embarcações e as novas descobertas da época, permitiram a tentativa de Cristovão Colombo de ten­tar chegar à Índia pelo Atlântico, achando que era possível dar a volta ao mundo. Foi então que ele chegou à América em 1492.

Após a descoberta, temos o início da colonização por vários povos, mas que seguiram basicamente dois modelos:

⇒ Povoamento: sistema predominante da América Anglo-Saxônica, adotada pelos ingleses e franceses. Trata-se de um sistema onde predominava as médias e pequenas proprieda­des, policultura, a mão de obra era assalariada e a produção voltada para o mercado interno.

⇒ Exploração: este tipo de colonização foi predominante na América Latina, adotada pelos espanhóis e portugueses. Tra­ta-se de um sistema onde predominava as grandes proprie­dades, monocultura, mão de obra era escrava e a produção voltada para atender o mercado externo.

 

Perceba que as principais características desses dois modelos são opostas e muitas vezes apontadas como principais res­ponsáveis pelo desenvolvimento dos países anglo-saxônicos. O Brasil foi uma colônia de exploração e tivemos a ocupa­ção do território ligada a alguns ciclos econômicos. Veja os principais:

⇒ Pau Brasil: era encontrado principalmente no litoral brasileiro e foi a primeira mercadoria comercializada pelos portugueses a partir do século XVI. Contavam com a ajuda dos índios que ajudavam os portugueses em troca de mercadorias banais. Como não havia a cultura de preserva­ção e conservação Pau Brasil foi praticamente extinto.

⇒ Cana de Açúcar: o território brasileiro ainda não tinha grande importância econômica para Portugal. A cana de açúcar foi uma escolha devido à necessidade de colonizar e explorar o Brasil. Esse ciclo tornou-se muito importante, atraindo a atenção de outras nações. A Holanda invadiu o Brasil em duas ocasiões, em 1624 e 1630. Ao serem expulsos do território brasileiros, já haviam adquirido experiência no cultivo da cana e tornaram-se fortes concorrentes, prejudi­cando esse setor aqui no Brasil. É importante lembrar que a mão de obra era a negra africana.

⇒ Ciclo do Ouro: o ouro foi descoberto no Brasil em Minas Gerais no final do século XVII. Porém foi no século XVIII que ele ganhou importância econômica, alcançando o seu apogeu entre 1750 a 1770. Temos a mudança do centro econômico, do Nordeste para a região Sudeste e também a mudança da Capital brasileira de Salvador para o Rio de Janeiro. Algumas taxações tornaram-se importantes na época. O quinto – um quinto do ouro explorado no Brasil deveria ser enviado para Portugal. Derrama: após a redução da extração, Portugal determinou uma quota de 1500 quilos anuais de ouro, que caso não fosse atingida, uma “varredura” deveria ocorrer até chegar nessa marca. A base da mão de obra também era a escrava.

⇒ Ciclo do Café: ocorre a partir do século XIX, che­gando à região Norte do Brasil. Mas foi no Vale do Paraíba (entre Rio de Janeiro e São Paulo) que ele passa a impulsio­nar a economia brasileira, chegando a ser o nosso principal produto exportado. A mão de obra era escrava, mas a partir da abolição da escravatura em 1888, a imigração, principal­mente dos italianos foi incentivada. Após a crise de 1929, o café sofreu um forte abalo e o governo passou a interferir na economia.

⇒ Ciclo da Borracha: após o desenvolvimento da vulcanização, por Charles Goodyear, a produção da borra­cha no Brasil na região amazônica ganhou muita importân­cia econômica e para a ocupação de um território que era pouco habitado. Os nordestinos foram os que mais migra­ram para trabalhar nesta região que passou a ter um grande crescimento econômico. Porém o seu declínio começou com a concorrência das colônias inglesas na Ásia, que gerou a queda do preço e piorou com a adoção da borracha sintética, que é derivada do petróleo, quando este ciclo chega ao fim.

b) Escravidão

A escravidão foi muito marcante na história econômica do Brasil, iniciada desde o início da colonização, inicialmente com os indígenas, mas principalmente com os negros africa­nos, pois o seu comércio gerava muito lucro aos europeus. Os escravos africanos foram utilizados principalmente para o trabalho na agricultura e durante a mineração. Quando não estavam trabalhando, eram presos nas senzalas, sob péssimas condições. Os que conseguiam fugir procuravam os quilom­bos, que eram agrupamentos no meio da mata formados principalmente por ex-escravos.

Só a partir do século XIX é que algumas pessoas passaram a desenvolver um sentimento abolicionista e passaram a pressionar para a conquista da abolição. Algumas leis foram criadas para acabar com a escravidão. Veja a seguir:

⇒ Lei Eusébio de Queirós: de 1850 que proibia o tráfico ne­greiro. Essa lei foi devido a grande pressão dos ingleses.

⇒ Lei do Ventre Livre: de 1871, que determinava que todo filho de escravo nascido a partir desta lei não seria mais escravo.

⇒ Lei do Sexagenário: todo escravo acima de 60 anos seria considerado livre. Porém, foi ineficaz, pois quase nenhum escravo chegava a essa idade.

⇒ Lei Áurea: assinada pela Princesa Isabel em 1888, declara­va extinta a escravidão no Brasil.

 

Preste atenção que a liberdade foi dada, mas não houve nenhuma política para inserir esta população ao mercado de trabalho. Pelo contrário, o governo incentivou a imigração e isso colaborou para a marginalização da população negra no Brasil.

[GER-HU] 9.1 – Apostila

IDADE CONTEMPORÂNEA

Chamamos de Idade Contemporânea os acontecimentos a partir da Revolução Francesa de 1789. Nesta aula vamos abordar dois assuntos importantes, que marcaram intensamente a história, vamos estudar as duas guerras mundiais.

1) Primeira Guerra Mundial (1914-1918):

Entre o final do século XIX e início do século XX, vários impérios se destacam no mundo e lutam para estabelecer a sua hegemonia. Após a Revolução Industrial e o uso das máquinas, tivemos o aumento da produção e isso consequentemente exigiu mais matéria prima e a busca por um mercado consumidor maior. Com várias nações em disputa, isso gerou um clima cada vez mais tenso.

A colonização da África e da Ásia poderia ser a solução para esses conflitos, porém gerou mais atritos entre os que chegaram primeiro e os que chegaram depois.A Alemanha crescia e passou a disputar espaço com a Inglaterra que era a maior nação mundial. Além disso, ainda se envolveu com disputas com a França, Rússia e Império Austro-Húngaro.

Com todos esses acontecimentos, um clima muito tenso passou a rondar a Europa e temos o início de uma corrida armamentista e por alianças, onde nações com interesses em comum se uniam. Foi o caso da Tríplice Entente, com Reino Unido, França e Rússia, e a Tríplice Aliança, com Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália. Em Sarajevo, na Bósnia, Francisco Ferdinando, herdeiro do trono Austro-Húngaro foi assassinado e a Áustria declarou guerra à Sérvia. Em poucos dias as principais nações do planeta estavam em guerra.

A Tríplice Aliança levava alguma vantagem sobre os conflitos e para piorar a situação da Entente, em 1917 os russos abandonaram a guerra. Em Abril desse ano os EUA declararam guerra à Alemanha e a Tríplice Entente, a partir daqui passa a levar vantagem, até que no início de 1918 a Alemanha foi derrotada.

Em 1919, os países vencedores se reuniram em Versalhes e consideraram a Alemanha culpada pela guerra. E então ela sofreu uma série de punições para indenizar os vencedores. Essas punições geram nos alemães um enorme sentimento de vingança, e isso é considerado um dos principais motivos para o início da Segunda Guerra Mundial.

 

2) Segunda Guerra Mundial (1939-1945):

Hitler passou a desrespeitar o Tratado de Versalhes a partir de 1933 e passou a se aproximar de nações como a Itália e o Japão que tinham interesses expansionistas, formando uma aliança que ficou conhecida como Eixo Roma-Berlim-Tóquio.

A Inglaterra e a França que se recuperavam da Primeira Guerra, tentavam ao máximo evitar outra guerra de grandes proporções e para piorar as dificuldades econômicas após a crise de 1929 complicou a situação nesses países e gerou uma insegurança no capitalismo.

Em 1936, Hitler em uma demonstração de força, entra na Guerra Civil Espanhola apoiando o General Francisco Franco, bombardeando Guernica e Madrid. Pablo Picasso pintou um quadro muito famoso, retratando as consequências desta Guerra. Em setembro de 1938, após a conferência de Munique, ou como foi chamada, Política do Apaziguamento, Hitler teve concessões. Essa conferência deveria evitar a guerra, mas Hitler percebeu que essa atitude demonstrava certa fragilidade dos oponentes e passou a invadir territórios.

Após a invasão da Polônia, temos o início do conflito, com França e Inglaterra declarando guerra à Alemanha. A Alemanha novamente é superior no início da guerra, desenvolvendo um sistema de ataque devastador, primeiramente
com um ataque aéreo, depois com tanques e por último a infantaria. Esse sistema ficou conhecido como “guerra-relâmpago” ou Blitzkrieg.

 

a) A virada

Os alemães decidem atacar os russos, maior país do mundo, em pleno inverno. À medida que os alemães avançavam, os russos recuavam e queimavam tudo. Sem abrigo e alimentos, os alemães ficavam fragilizados e decidiram recuar. Nesse
momento os russos contra-atacam e derrotam o poderoso exército alemão. Essa batalha ficou conhecida como a Batalha de Stalingrado.

Outro fator importante para a virada contra os alemães foi à participação dos EUA. A população americana não queria entrar na guerra, porém após sofrer um ataque a Pearl Harbor, em 1941, passa a apoiar a guerra. Um grande problema para a Alemanha, pois o poder militar dos EUA era muito grande.

O Eixo passa a acumular derrotas e perder territórios. Mussolini, da Itália, é retirado do poder. Os alemães não aceitam e mandam seus soldados para a Itália, onde enfrentam os brasileiros, que apoiavam os EUA. Mussolini é preso e executado.

 

b) Dia D

Uma grande força é organizada para libertar a França do domínio alemão. Hitler se suicida e a Alemanha se rende.

 

c) Japão

Mesmo em condições muito difíceis, resistia aos ataques, até o lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki. É o fim da Segunda Guerra.

 

[GER-HU] 5.1 – Apostila

GEOLOGIA E FONTES DE ENERGIA

1) Introdução:

O interior da Terra não é estável, ou seja, ele se movimenta o tempo todo. Essas forças internas (ou endógenas) são res­ponsáveis por diversas transformações na superfície terres­tre. Nesta aula, veremos os principais pontos da geologia e fontes de energia com foco nos principais vestibulinhos.

 

2) Geologia:

É sempre importante lembrar que todos os continentes no passado formavam um único bloco de terras, chamado de Pangeia. Segundo a teoria das Placas Tectônicas, devido a enormes pressões internas, esse continente sofreu diversas pressões e há milhões de anos atrás passou a se separar, dando origem aos continentes como os conhecemos. Ainda segundo esta teoria, o assoalho oceânico é dividido em várias partes, que chamamos de placas. Algumas delas se encontram (convergentes) e outras se afastam (divergentes) modificando lentamente as paisagens que conhecemos.

Quando as placas se encontram podemos ter os abalos sís­micos que são popularmente chamados de terremotos. Eles ocorrem, pois o movimento de encontro das placas faz com que elas ganhem energia e na liberação dessa energia temos os tremores, que são mensurados através da Escala Richter. É importante lembrar que a maioria dos tremores e fenôme­nos vulcânicos ocorrem na periferia (ou bordas) das placas e que o Brasil por estar em uma área central, apresenta uma quantidade muito menor de tremores e estes quando ocor­rem são de intensidade baixa ou moderada.

No encontro de placas convergentes, também podemos ter a formação de montanhas, como a Cordilheira dos Andes, no Oeste da América do Sul. Essa formação é geologicamente recente e a chamamos de Dobramentos Modernos. As formações mais antigas são chamadas de Maciços An­tigos ou Escudos Cristalinos. Podem ter praticamente a idade da Terra e é muito importante lembrar que são nessas formações que encontramos os minerais metálicos, como o ouro, prata, ferro, bauxita e etc.

Por último, após os processos erosivos, sedimentos dessas duas formações geológicas se desprendem, dirigindo-se para as regiões mais rebaixadas do relevo, dando origem às Bacias Sedimentares. É importante saber que é nesta formação que encontramos algumas das principais fontes energéticas usadas pela humanidade, como o Carvão Mineral, Petróleo e o Gás Natural. Essas são fontes de energia não renováveis, que veremos adiante. Mas antes de trabalhar as fontes de energia, vamos finalizar esta etapa com a formação de rochas que podem ser forma­das por um ou vários minerais. Essas rochas são classificadas em três grupos distintos:

 

⇒ 1° Rocha Magmática ou Ígnea: é o resultado do resfriamento do magma. Quando ocorrem na parte mais interior da superfície, damos o nome de intrusivas ou plutô­nicas. Quando ocorrem mais na superfície, damos o nome de extrusivas ou efusivas.

⇒ 2° Rocha Sedimentar: é o resultado dos processos erosivos de outras rochas. Os sedimentos são levados para as partes mais rebaixadas do relevo, passam por um proces­so de deposição e em seguida cimentação, que é quando os fragmentos se reorganizam, formando uma nova rocha.

Obs.: com os sedimentos, geralmente temos material orgânico e é por isso que as bacias sedimentares geralmente são áreas férteis.

⇒ 3° Rocha Metamórfica: é o resultado de transfor­mações de rochas pré-existentes. Isso pode ocorrer quando a rocha é exposta a uma situação diferente da habitual (calor de uma erupção vulcânica) ou pelo desgaste erosivo. Ex.: uma rocha pode ser porosa e ser formada por alguns mine­rais solúveis. Após as chuvas esses materiais são diluídos e com os anos temos uma nova rocha, agora apenas com os minerais que não são solúveis.

 

3) Fontes de Energia não Renováveis:

a) Carvão Mineral:

É uma rocha orgânica que encontramos em bacias sedimentares, formada a partir do soterramento de florestas há milhares de anos. Por isso, é considerada uma fonte de energia não renovável. Foi muito usado durante a 1ª Revolução Industrial e é consi­derado o combustível fóssil mais poluente. É encontrado principalmente no hemisfério norte. Aqui no Brasil, encontramos principalmente na região Sul.

b) Petróleo:

É um combustível fóssil, formado após a de­composição de organismos vegetais e animais em ambientes marinhos. Passou a ser usado principalmente na segunda me­tade do século XIX, durante a 2ª Revolução Industrial. Após a sua destilação, utilizamos diversos produtos, como a gasolina, diesel, querosene, óleos lubrificantes, asfalto, piche, etc. Suas maiores reservas são encontradas no Oriente Médio, no continente. As maiores reservas brasileiras estão locali­zadas na Plataforma Continental, ou seja, abaixo do mar. A PETROBRAS é a principal empresa do mundo na extração de petróleo em águas profundas. Possui tecnologia de ponta nesse setor. Atualmente falamos muito da descoberta do Pré-Sal, entre o Espirito Santo e Santa Catarina, e se as estimativas estive­rem corretas, até 2016 o Brasil estará entre os dez maiores produtores mundiais.

 

c) Gás Natural:

Tem um processo de formação semelhan­te ao do petróleo, sendo considerado o combustível fóssil menos poluente. O seu uso é cada vez maior, pois é barato e pouco poluente.

 

 

4) Fontes de Energia Renováveis:

Vamos abordar neste tópico as mais importantes fontes de energia recorrentes nos vestibulinhos. Dentre elas podemos levantar:

a) Hidrelétricas:

Podemos gerar energia através do movi­mento da água. Inicialmente precisamos de uma represa, onde o desnível do relevo é usado para a água ganhar velo­cidade e movimentar as turbinas que por sua vez vão gerar energia. A maior hidrelétrica do mundo é a Usina de Três Gargantas, na China. Mas atualmente a que mais produz energia é a Usina de Itaipu, localizada na divisa entre o Brasil e Paraguai. Por isso, falamos que é uma usina binacional.

 

b) Energia Solar:

É uma fonte alternativa de energia, que pode ser usada principalmente na região intertropical do planeta, por possuir maior insolação. Geralmente usada como uma forma alternativa, visando não sobrecarregar outros meios, pois quando instalamos os coletores solares no telhado das residências para o aquecimento da água do ba­nho, evitamos o uso dos chuveiros, economizando energia. Porém, também é possível utilizar a energia solar na pro­dução de energia elétrica. O país que mais investe nessa tecnologia são os Estados Unidos.

 

c) Energia Eólica:

É a energia gerada a partir dos ventos, geralmente encontrada no litoral, pois temos ventos constan­tes. Na sua geração, são instalados moinhos, com pás enor­mes. O vento movimenta essas pás, que girando acionam um gerador que produz energia.

 

d) Biomassa:

É a matéria orgânica biodegradável. Podemos ter a obtenção direta, quando, por exemplo, queimamos ma­deira para aquecer um forno. Ou a obtenção indireta, como a produção do Etanol, que é um biocombustível líquido.

[GER-HU] 3.1 – Apostila

DOMÍNIOS CLIMATOBOTÂNICOS BRASILEIROS

Nesta aula vamos aprender sobre as principais formas de vegetação do Brasil, ou seja, nossos principais biomas de acordo com a classificação de uns dos mais importantes geógrafos brasileiros que faleceu em 2012, Aziz Ab’Sáber. Vale ressaltar que grande parte dos biomas que vamos mencionar já foram fortemente degradados devido a ação do homem.

Vejamos a seguir:

 

1) Mata Atlântica:

É a vegetação encontrada no litoral do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul de grande biodiversidade por estar em um clima quente e úmido. É uma vegetação fechada, latifoliada, perene e grande parte das árvores é de grande porte. Atualmente temos menos de 7% da cobertura original em função da grande concentração populacional no litoral brasileiro desde a época do descobrimento.

 

2) Domínio da Caatinga:

Encontrada apenas no sertão nordestino, onde o clima é o semiárido. Logo esse bioma está adaptado às condições hídricas da região, conseguindo sobreviver em um clima muito seco. No período da seca grande parte da vegetação perde as folhas, dando aspecto esbranquiçado que da origem ao nome. As folhas são pequenas e a vegetação possui muitos espinhos. Caatinga significa mata branca, onde existe o predomínio de xerófilas, cactáceas e bromeliáceas.

 

3) Domínio das Araucárias:

Também conhecida como mata dos pinhais, localizada principalmente no Sul do Brasil, onde o clima é o subtropical e também encontramos nas regiões mais altas, como Campos do Jordão e Poços de Caldas, onde o clima é mais ameno graças à altitude.

 

4) Domínio das Pradarias:

Também conhecidas como campos, pampas ou campanha gaúcha. Localizado no Sudoeste do Rio Grande do Sul. Essa região é fortemente explorada pela pecuária extensiva, pois trata-se planícies com gramíneas, vegetação rasteira e com árvores espaçadas, ou seja, ideal para a pecuária.

 

5) Domínio do Cerrado:

Ocorre predominantemente na região central do nosso país onde o clima é o tropical, caracterizado por uma estação quente e chuvosa e outra mais fria e seca. Também é conhecido como a Savana brasileira e desde a década de 1970 sofre intenso processo de desmatamento graças à expansão da agropecuária. Caracterizado gramíneas, arbustos e árvores espaçadas. Essas árvores são de médio ou pequeno porte, casca grossa, troncos retorcidos, raízes profundas e folhas pequenas para reduzir a transpiração e evitar a perda de água principalmente no período da seca.

 

6) Domínio Amazônico:

Conhecida como Floresta Equatorial Latifoliada, a Amazônia se destaca pela enorme continuidade de florestas – Localizada no norte brasileiro, em uma área de clima equatorial (quente e chuvoso) o que certamente permite árvores perenifólias e latifoliadas. Divide-se em três partes:

⇒ Mata de Igapó: ocorre em áreas inundadas da planície amazônica, onde predomina plantas aquáticas, como a Vitória-Régia.
⇒ Mata de Várzea: ocorre em regiões inundadas nos períodos de cheias. Possui grande diversidade de espécies, entre elas a seringueira.
⇒ Mata de terra firme: ocupa a maior parte desse bioma, com a vegetação de maior porte, com árvores que medem mais de 50 m de altura, como o mogno e cedro.

 

Obs.: o solo amazônico possui uma estreita camada fértil, e as partes mais profundas são extremamente arenosas. Hoje a pecuária é a principal responsável pelo desmatamento dessa região, pois as terras possuem menor valor quando comparadas as outras áreas do Brasil.

 

7) Domínio dos Mares e Morros:

Encontrado na região leste (litoral) do Brasil, onde encontramos o domínio Atlântico. Possui esse nome graças às formas arredondadas do relevo.

 

8) Faixas de Transição:

Essa faixa que não é homogênea, pois é a passagem entre dois ou mais domínios. Por isso, mesmo sendo denominada no mapa com uma única legenda, ela não representa um único domínio. Por exemplo, quando comparamos a passagem entre o domínio das Araucárias e Pradarias e a passagem entre o Domínio Amazônico e Caatinga. A Mata dos Cocais é considerada a área de transição entre o domínio Amazônico e a Caatinga. Vejamos as suas características:

⇒ Mata dos cocais: formada predominantemente por palmeiras e o clima oscila entre a umidade amazonense e o clima seco do agreste nordestino.

Temos também outros dois tipos de formações vegetais importantes o pantanal e os mangues. Abaixo suas principais características:

⇒ Complexo do Pantanal: Pantanal significa área alagada. Localiza-se na planície central da América do Sul. No Brasil, está no Mato Grosso. As chuvas do verão deixam essa região alagada. No inverno com a estiagem, a água permanece nos leitos dos rios, deixando uma área fértil e rica em diversidade. Nessa formação complexa, é comum encontrarmos campos, cerrados, vegetação aquática e florestas.

⇒ Mangues: é a vegetação litorânea de transição entre o ambiente terrestre e o marinho. Localizada no encontro de rios com o mar, ou seja, em ambientes salobros. Neste bioma, o solo é úmido, salgado e rico em nutrientes, o que atrai muitas espécies para a reprodução, formando um “berçário” natural. Uma de suas características marcantes são as raízes que ficam expostas.

 

 

[GER-HU] 4.1 – Apostila

POPULAÇÃO, URBANIZAÇÃO E PROBLEMAS AMBIENTAIS URBANOS

1) População e Urbanização:

Esta aula irá abordar os principais assuntos recorrentes em vestibulinhos de geografia humana. Portanto, estaremos falando do espaço transformado pelo homem e suas implica­ções, ou seja, o meio urbano. Vamos iniciar dando a diferença de município e cidade.

O município é a divisão do Estado. Por exemplo, o Estado de São Paulo é formado por 645 municípios. Nele encontramos a área rural e a urbana. Já a cidade, é a sede do município, ou seja, a formada apenas pela área urbana.

Agora que você já entendeu a diferença entre esses conceitos, podemos compreender a sua origem e formação. No começo das civilizações o homem passou a se organizar próximos aos rios e a viver da agricultura e criação de alguns animais. A população foi crescendo e a produção alimentícia foi aumentando à medida que as técnicas agrícolas evoluíam. Quando a comida passa a sobrar, podemos dizer que o homem já podia viver na cidade do comércio, surgindo uma nova classe social, a burguesia. Perceba que o homem só pas­sou a viver nas cidades, pois havia sobra alimentar no campo.

Verificamos então que as pessoas só mudaram para a cidade quando as técnicas agrícolas evoluíram e o camponês pode produzir o suficiente para sustentar o homem na cidade, que não trabalha diretamente na produção de alimentos. De qualquer forma, a maioria das pessoas ainda viviam no campo, e com o tempo passam a migrar para as cidades que vão crescendo. Logo o crescimento das cidades torna-se maior do que o crescimento do campo. Chamamos esse processo de urba­nização que ocorreu em épocas distintas e em vários locais do mundo. Porém as consequências e os fenômenos desse processo foram semelhantes em todos os lugares.

No Brasil, a urbanização passa a se intensificar a partir da década de 1950, principalmente a partir do governo de Jus­celino Kubitschek com o seu programa de industrialização, investindo na indústria automobilística e de bens de consu­mo duráveis. Houve a abertura da economia ao capital internacional e a região Sudeste, principalmente em São Paulo e no Rio de Ja­neiro, passou a receber muitos investimentos (em infraestru­tura – rodovias, hidrelétricas). Isso passou a atrair as pessoas para as cidades. Na década seguinte, a urbanização ganha força, pois o Esta­tuto do Trabalhador Rural, de 1963, visava dar os mesmos direitos do trabalhador da cidade ao trabalhador do campo. Isso levou ao aumento do valor da mão de obra rural. Logo o latifundiário, passou a mecanizar a sua produção e o campo­nês sem emprego migra para a cidade, em busca de melhores condições de vida. Essa fuga em massa do campo é conheci­da como êxodo rural. Esses fatores colaboraram para a rápida urbanização, que trouxe várias consequências para a vida da população das grandes cidades.

A primeira delas é que o trabalhador rural, sem qualificação profissional, torna-se um desempregado ou baixa renda na cidade. Sem condições de sustentar a sua família passa a vi­ver em locais sem infraestrutura e de menor valor, as favelas. A esse processo damos o nome de favelização. Também decorrente desse mesmo processo, temos o aumen­to da criminalidade e a ocupação de áreas irregulares, como morros, encostas e margens de rios, dando origem a outros problemas urbanos, como o desmoronamento e enchentes.

Sobre as formas do crescimento das cidades, podemos dizer que no primeiro momento ele é horizontal. Em palavras bem simples, a cidade cresce para os lados. Quando isso já não é mais possível, ou quando um determinado lugar é muito procurado (centro), podemos constatar o crescimento vertical, através dos prédios. No crescimento horizontal de duas ou mais cidades, pode­mos ter um fenômeno muito comum em grandes centros urbanos, a conurbação. Isso ocorre quando uma cidade se une a outra, formando um aglomerado contínuo.

As maiores cidades podem ganhar importância nacional­mente ou internacionalmente. Para essas grandes cidades, podemos utilizar alguns termos:

⇒ metrópole: são as principais cidades de um grande aglomerado urbano. Ex.: Campinas.

megacidade: é uma cidade com uma área urbana enorme, geralmente com mais de10 milhões de habitantes. Ex.: São Paulo.

⇒ cidade global: é uma cidade muito importante para o sistema econômico global. Ex.: Nova Iorque.

 

 

2) Problemas Ambientais Urbanos:

Outro tema muito importante quando estudamos a popula­ção, são os de ordem ambiental. Diversos problemas ambien­tais estão relacionados à urbanização. Vejamos a seguir:

a) Enchentes:

Todos os rios apresentam um período de cheia e outro de vazão. O clima predominante no Brasil é o tro­pical, logo temos um período concentrado de chuvas entre o mês de Novembro e Março. O asfalto e as construções urbanas tornam o solo impermeável e assim, a água da chuva que deveria infiltrar escoa para o rio, aumento o seu volume e consequentemente a área de alagamento natural. Com isso, também temos ao longo do tempo o rebaixamento do lençol freático.

b) Retirada da vegetação:

A substituição da vegetação pela área construída, pode elevar a temperatura e reduzir a quanti­dade de chuvas, pois eliminamos a transpiração vegetal que é responsável por levar umidade para o interior do continente.

 

c) Poluição:

As atividades urbanas como a industrialização e o aumento do número de automóveis, lançam na atmosfera diariamente gases poluentes que em contato com o vapor d’água torna-se ácido. Assim temos a chuva ácida, que além de prejudicar monumentos e algumas estruturas da cida­de, pode destruir plantações quando se desloca para áreas rurais. Além disso, temos a destruição da camada de Ozônio, que impede a entrada dos raios ultravioleta do Sol.

 

d) Ilha de Calor:

Este fenômeno ocorre nos grandes cen­tros urbanos e trata da elevação da média térmica. Ocorre primeiramente, pois ao retirarmos a mata original, aumen­tamos a absorção do calor atmosférico. Além disso, temos como agravantes a construções urbanas que dificultam a circulação do ar e os automóveis e indústrias que provocam o aumento da temperatura.

 

e) Inversão térmica:

Em condições normais o ar quente se eleva enquanto o ar mais frio se rebaixa. Assim podemos afirmar que as médias de temperatura são menores em ele­vadas altitudes. Isso porque a superfície ganha calor e aquece o ar que está em contato. Portanto quanto mais longe da superfície, menor a temperatura.

A inversão térmica ocorre geralmente no inverno, após o rápido resfriamento da superfície durante a noite. As tempe­raturas de locais mais elevados ficam maiores do que as da superfície. Nesses dias, temos um grande problema nas áreas urbanas devido à poluição, que tem dificuldade para se dis­sipar, ficando por mais tempo nas partes mais baixas. Logo temos o aumento dos problemas respiratórios no inverno.

 

f) Lixo:

O aumento da população e das necessidades de con­sumo fizeram com que o lixo se tornasse uma das grandes preocupações dos grandes centros urbanos. Na verdade, o destino do lixo é o mais preocupante. A forma mais comum é o lixo a céu aberto, que chamamos de lixão. Mas podemos encontrar formas mais adequadas como o aterro sanitário, que além de afastar vetores de doenças (ratos e insetos), impede a poluição do lençol freático pelo chorume.

 

g) Soterramento:

É muito comum no início do ano, pois ocorre o aumento das chuvas e consequentemente o aumen­to da infiltração da água nos solos. Em morros, a água vai infiltrando até acumular na rocha matriz. Todo o solo sobre a rocha fica sustentado sob uma superfície barrenta, que facilita o escorregamento de todo esse material. O problema é que nos grandes centros urbanos, a população mais pobre ocupa os morros e com os deslizamentos temos um grande prejuízo material e várias mortes.