[GER-HU] 7.1 – Apostila

PRÉ-HISTÓRIA E ANTIGUIDADE CLÁSSICA

1) Introdução:

Para fins didáticos existe uma divisão clássica dos períodos da história que facilitam a sua compreensão. Veja:

 

⇒ Pré-História: do surgimento do homem até a invenção da escrita em aproximadamente 4.000 a.C.

⇒ Antiguidade Clássica: da invenção da escrita até a queda do Império Romano em 476 d.C.

⇒ Idade Média: de 476 à 1453, quando os turcos inva­dem Constantinopla e temos o início das grandes navegações.

⇒ Idade Moderna: de 1453 à 1789, data da Revolu­ção Francesa.

⇒ Idade Contemporânea: de 1789 até os nossos dias.

 

Nas aulas seguintes, veremos os temas mais recorrentes em ves­tibulinhos dentro desses períodos, iniciando pela Pré-História e Antiguidade Clássica.

 

2) Pré-História:

Os primeiros grupos humanos não possuíam nenhuma forma de escrita, mas de certa forma registravam o seu coti­diano através de imagens em rochas, as chamadas pinturas rupestres. Esse período, conhecido por pré-história pode ser dividido:

 

⇒ Paleolítico (Idade da Pedra Lascada): o homem vi­via da caça e coleta. Era nômade, ou seja, não tinha moradia fixa e vivia em pequenos grupos familiares. Grupos maiores representavam maior concorrência pelos alimentos e novas migrações. Neste período o homem domina o fogo.

⇒ Neolítico (Idade da Pedra Polida): o homem passa a desenvolver a agricultura o que possibilita a sedentariza­ção, normalmente nas margens dos rios. Aqui temos o inicio do aumento populacional e o aperfeiçoamento de instru­mentos. Também passamos a ter uma divisão do trabalho primitiva.

⇒ Idade dos Metais: o homem passa a dominar objetos mais resistentes, como o ferro, bronze e cobre. E as sociedades passam a necessitar de maior organização, pois ficam cada vez maiores.

 

O processo de sedentarização ocorreu primeiramente na Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates. Esta região tam­bém é conhecida como Crescente Fértil e está localizada no Oriente Médio, onde hoje está o Iraque. É importante saber que essas terras eram mais férteis e passamos a ter proprie­dades privadas que levaram à desigualdade social. No entanto, também tivemos sedentarização em outras partes do mundo, como nas margens do Rio Nilo, no Egito e nas margens do Rio Ganges, na Índia, formando as primeiras civilizações da humanidade.

 

3) Antiguidade Clássica:

a) Gregos:

Por volta de 3000 a.C. os primeiros povos passaram a habitar a península balcânica, onde hoje é a Grécia, dando origem as primeiras organizações sociais e urbanas dessa região. Os gregos passaram por duas diásporas (separação). A primeira após a invasão dos Dórios, um povo muito violento por volta de 1200 a.C. e a segunda graças ao crescimento populacional. Após a segunda diáspora, os gregos formaram as cidades­-estados, que eram áreas independentes e autossuficientes. Havia a parte urbana e a rural para sustenta-la.

De certa forma, os gregos dividiam o território, mas viviam isolados, cada grupo em uma cidade-estado. Dentre as prin­cipais destacamos Atenas e Esparta.

⇒ Atenas: Atenas se destacou por suas características políticas, mais especificamente a democracia, que podemos definir como a vontade do povo ou da maioria. Perceba que o mundo durante milênios viveu seguindo a ordem de um monarca, enquanto Atenas por volta de 2500 a.C. desenvolveu o prin­cipio democrático que usamos hoje. Inicialmente tínhamos um rei, mas que contava com a partici­pação de uma assembleia que era formada por famílias tradi­cionais e que com o tempo ficou mais importante que o rei. Mais tarde os comerciantes passaram a ter poder econômico e exigir participação na política. Já os pequenos agriculto­res passaram a exigir o direito de não virarem escravos por dívidas.

A organização social passou a ficar mais complexa e tivemos o início da organização das Leis, que eram orais, mas devido à complexidade passaram a ser escrita, surgindo um caderno de leis. A Assembleia era renovada de tempos em tempos e esco­lhida pelos cidadãos. Mulheres, estrangeiros, escravos e menores de 18 anos não poderiam votar. É importante notar que até mesmo o pobre cidadão ateniense poderia votar.

 

⇒ Esparta: Esparta foi fundada numa das poucas áreas férteis da Grécia. Logo para proteger o seu território, o militarismo foi uma característica marcante. A agricultura, portanto é um desta­que econômico. Além disso, eles possuíam um grande número de escravos e para mantê-los submissos era necessário possuir um forte exército ao qual o espartano dedicava grande parte de sua vida, dos 18 aos 60 anos. Porém, pertencer ao exército era uma posição de prestígio, almejada pelo jovem espartano. Uma característica importante da cultura espartana era a de falar pouco e rejeitar os estrangeiros, para evitar o desenvol­vimento de um espírito crítico.

 

b) Mudanças:

O gigantesco Império Persa iniciou uma ofensiva sobre alguns povos gregos que rapidamente acabaram com o seu isolamento e decidiram unir-se para o combate. Quando Atenas e Esparta uniram-se, os gregos conseguiram a primeira vitória sobre o gigantesco império persa, que tinha cinco vezes mais soldados. Esses confrontos entre gregos e persas ficaram conhecidos como Guerras Médicas, onde os gregos saíram vitoriosos e em 448 a.C., assinaram o Tratado se Susã, onde ficou esta­belecido que os persas não atacariam mais a Grécia e suas colônias.

A organização contra os persas deu muito prestígio aos atenienses que continuaram explorando os gregos. Houve sucessivas revoltas e os gregos iniciaram uma guerra contra Atenas, conhecida como Guerra do Peloponeso. Derrotan­do Atenas os gregos foram dominados pelos espartanos. O domínio espartano foi ainda mais pesado do que o ateniense e vários conflitos internos ocorreram, tornando a Grécia cada vez mais fraca. Foi então que a Grécia foi domi­nada pela Macedônia de Alexandre, o Grande, que também dominou o Império Persa, chegando próximo da Índia.

 

c) Roma:

A origem de Roma pode ser associada à lendária história de Rômulo e Remo, meninos que foram salvos e criados por uma loba. Mas o que é certo é que uma pequena vila na península itálica torna-se a capital do mundo, presente em três dos cinco continentes. Na estrutura política, os reis eram aconselhados pelos ho­mens velhos das famílias tradicionais, que eram chamados de Senadores. Os adultos formavam a Assembleia e apenas concordavam ou não com as propostas.

Existia uma clara divisão social, os Patrícios eram a classe mais privilegiada, tinham as maiores e melhores terras. Os Clientes eram parentes distantes dos patrícios e tinham uma vida confortável. Podemos considera-los a classe média. E os Plebeus, que possuíam poucas e pequenas propriedades. A base econômica era a agricultura e pastoreio, com técnicas simples voltadas apenas para o sustento da cidade.

Esse era o período da Monarquia, que termina quando o Rei Tarquínio tenta aproximar-se do povo para ter mais poder e é expulso do trono. Roma passa a ser governada pelos patrí­cios, e temos o início do Período Republicano. No período republicano, as conquistas territoriais ficaram cada vez mais importantes e o exército consequentemente ganha prestígio. Tivemos a distribuição desigual das riquezas e os plebeus que iam para guerra e não conseguiam pagar suas dívidas viravam escravos.

Portanto tivemos várias revoltas da plebe, reivindicando os seus direitos. Como eram fundamentais para as conquistas, tiveram alguns dos seus direitos atendidos. Não virariam mais escravos por dívida e poderiam ter participação na política. No período republicano ocorreram as Guerras Púnicas, entre Roma e Cartago. É importante saber que Roma não perdeu nenhuma dessas guerras. Ela foi atacada duas vezes e na terceira guerra púnica, atacou e ocupou Cartago.

Após várias conquistas surge uma nova classe social, os cavaleiros, que eram plebeus que enriqueceram. A necessi­dade de uma reforma agrária gerou uma crise na república. Patrícios tinham muitas terras e plebeus precisavam de terras. Essa situação acabou com a república e tivemos início da Fase Imperial. O período imperial foi marcado por uma tentativa de conter as crises sociais. Neste contexto surgiu a Política do Pão e Circo. Trata-se de fornecer alimentos baratos ou muitas vezes gratuitos a população e diversão, como a luta entre gladiadores no Coliseu, para que não interfiram na política.

Porém a crise social continua, pois militares, patrícios e cavaleiros disputavam o poder em Roma. Alguns militares assumiram o poder e foram ditadores. Logo era preciso solucionar essa crise. Foi a época dos Triunviratos, ou seja, três pessoas eram co­locadas no poder e deveriam governar Roma. Mas nos dois triunviratos tivemos uma forte disputa pelo poder. No se­gundo e último triunvirato, Caio Otávio torna-se o primeiro Imperador Romana, ganhando o título de Augusto, passando a se chamar Otávio Augusto. Em seu império tratou de centralizar o poder. Sabia que as maiores forças de Roma eram o exército e os plebeus. Por isso, tratou de profissionalizar o exército e intensificar a po­lítica do pão e circo, para reduzir as chances de revolta. Esse foi o período da Pax Romana, ou seja, Paz Romana.

A crise do Império Romano se deu à dificuldade de admi­nistrar um Império gigantesco. Com o fim das conquistas, o número de escravos ficava cada vez menor e eles eram a base da economia romana. Sem as conquistas e os saques aos territórios vizinhos, o exército passou a ser um peso enorme para a economia. Logo sem receber, os soldados passaram a abandonar os seus postos. Com as fronteiras fragilizadas pelo número insuficiente de soldados, os romanos tornaram-se frágeis para aos inimigos. Contrataram povos germânicos para vigiar as fronteiras, mas estes devido ao crescimento da sua população, também atacaram Roma. Lentamente o gigantesco Império Romano foi sendo des­truído, até que no ano de 476 d.C., Roma estava totalmente entregue aos povos bárbaros.