[GER-LP] 34.1 – Apostila

PRONOMES

1) Pronome Pessoal:

O pronome pessoal é do caso reto quando tem função de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso oblíquo quando desempenha função de complemento. Vamos entender, primeiramente, como o pronome pessoal surge na frase e que função exerce.

Observe as orações:

1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar.
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia lhe ajudar.

Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele” exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso reto. Já na segunda oração, observamos o pronome “lhe” exercendo função de complemento, e consequentemente é do caso oblíquo.

Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso, o pronome oblíquo “lhe” da segunda oração aponta para a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não sabia se devia ajudar…. Ajudar quem? Você (lhe).

Importante: Em observação à segunda oração, o emprego do pronome oblíquo “lhe” é justificado antes do verbo intransitivo “ajudar” porque o pronome oblíquo pode estar antes, depois ou entre locução verbal, caso o verbo principal (no caso “ajudar “) estiver no infinitivo ou gerúndio.

Exemplo:

Eu desejo lhe perguntar algo.
Eu estou perguntando-lhe algo.

 

2) Pronome Oblíquo:

Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição, diferentemente dos segundos que são sempre precedidos de preposição.

⇒ Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que estava fazendo.

⇒ Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para mim o que eu estou fazendo.

 

COLOCAÇÃO PRONOMINAL

De acordo com as autoras Rose Jordão e Clenir Bellezi, a colocação pronominal é a posição que os pronomes pessoais oblíquos átonos ocupam na frase em relação ao verbo a que se referem.

São pronomes oblíquos átonos: me, te, se, o, os, a, as, lhe, lhes, nos e vos.

O pronome oblíquo átono pode assumir três posições na oração em relação ao verbo:

  1. próclise: pronome antes do verbo
  2. ênclise: pronome depois do verbo
  3. mesóclise: pronome no meio do verbo

 

1) Próclise:

A próclise é aplicada antes do verbo quando temos:

⇒ Palavras com sentido negativo:

Nada me faz querer sair dessa cama.
Não se trata de nenhuma novidade.

 

⇒ Advérbios:

Nesta casa se fala alemão.
Naquele dia me falaram que a professora não veio.

 

⇒ Pronomes relativos:

A aluna que me mostrou a tarefa não veio hoje.
Não vou deixar de estudar os conteúdos que me falaram.

 

⇒ Pronomes indefinidos:

Quem me disse isso?
Todos se comoveram durante o discurso de despedida.

 

⇒ Pronomes demonstrativos:

Isso me deixa muito feliz!
Aquilo me constrangeu a mudar de atitude!

 

⇒ Preposição seguida de gerúndio:

Em se tratando de qualidade, o Brasil Escola é o site mais indicado à pesquisa escolar.

 

⇒ Conjunção subordinativa:

Vamos estabelecer critérios, conforme lhe avisaram.

 

2) Ênclise:

A ênclise é empregada depois do verbo. A norma culta não aceita orações iniciadas com pronomes oblíquos átonos. A ênclise vai acontecer quando:

⇒ O verbo estiver no imperativo afirmativo

Amem-se uns aos outros.
Sigam-me e não terão derrotas.

 

⇒ O verbo iniciar a oração

Diga-lhe que está tudo bem.
Chamaram-me para ser sócio.

 

⇒ O verbo estiver no infinitivo

Eu não quis vangloriar-me.
Gostaria de elogiar-te hoje pelo bom trabalho.

 

⇒ O verbo estiver no gerúndio

Não quis saber o que aconteceu, fazendo-se de despreocupada.
Despediu-se, beijando-me a face.

 

⇒ Houver vírgula ou pausa antes do verbo

Se passar no vestibular em outra cidade, mudo-me no mesmo instante.
Se não tiver outro jeito, alisto-me nas forças armadas.

 

3) Mesóclise:

A mesóclise acontece quando o verbo está flexionado no futuro do presente ou no futuro do pretérito:

A prova realizar-se-á neste domingo pela manhã.
Far-lhe-ei uma proposta irrecusável.