[GER-LP] 28.1 – Apostila

CONCORDÂNCIA VERBAL

⇒ Sujeito simples: O verbo concorda com o sujeito simples em pessoa e número.

  1. Uma boa Constituição é desejada por todos os brasileiros;
  2. De paz necessitam as pessoas.

 

⇒ Sujeito coletivo (singular na forma com ideia de plural): O verbo fica no singular concordando com a palavra escrita não com a ideia.

  1. O pessoal já saiu.

Quando o verbo se distanciar do sujeito coletivo, o verbo poderá ir para o plural concordando com a ideia de quantidade (silepse de número)

Exemplo: A turma concordava nos pontos essenciais, discordavam apenas nos pormenores.

⇒ Se o sujeito for um pronome de tratamento: o verbo fica na 3ª pessoa.

  1. Vossa Senhoria não é justo;
  2. Vossas Senhorias estão de acordo comigo.

 

⇒ Expressão mais de + numeral: o verbo concorda com o numeral.

  1. Mais de um candidato prometeu melhorar o país;
  2. Mais de duas pessoas vieram à festa.

 

⇒ Mais de um + se (ideia de reciprocidade): verbo no plural.

  1. Mais de um sócio se insultaram.

 

⇒ Mais de um + mais de um: verbo no plural.

  1. Mais de um candidato, mais de um representante faltaram à reunião.

 

⇒ Expressões perto de, cerca de, mais de, menos de + sujeito no plural: o verbo fica no plural.

  1. Perto de quinhentos presos fugiram.
  2. Cerca de trezentas pessoas ganharam o prêmio.
  3. Mais de mil vozes pediam justiça.
  4. Mais de duas pessoas fizeram isto.

 

⇒ Nomes só usados no plural: a concordância depende da presença ou não de artigo.

Sem artigo: o verbo fica no singular (Minas Gerais produz muito leite / férias faz bem).

Precedidos de artigo no plural: o verbo fica no plural (“Os Lusíadas” exaltam a grandeza do povo português / as Minas Gerais produzem muito leite).

 

⇒ Para nomes de obras literárias, admite-se também a concordância ideológica (silepse) com o nome da obra implícito na frase

  1. “Os Lusíadas” exalta a grandeza do povo português.

 

⇒ Expressões a maior parte, grande parte, a maioria de (= sujeito coletivo partitivo) + adjunto adnominal no plural: o verbo concorda com o núcleo do sujeito ou com o especificador (AA).

  1. A maior parte dos constituintes se retirou (retiraram).
  2. Grande parte dos torcedores aplaudiu (aplaudiram) a jogada.
  3. A maioria dos constituintes votou (votaram).

Quando a ação só pode ser atribuída à totalidade e não separadamente aos indivíduos, usa-se o singular (um bando de soldados enchia o pavimento inferior).

 

⇒ Quem (pronome relativo sujeito): o verbo na 3ª pessoa do singular concorda com o pronome “quem” ou concorda com o antecedente.

  1. Fui eu quem falou (falei).
  2. Fomos nós quem falou (falamos).

 

⇒ Que (pronome relativo sujeito): o verbo deve concordar sempre com o antecedente.

  1. Fomos nós que falamos.

 

⇒ Sujeito como pronome interrogativo ou indefinido (núcleo) + de nós ou de vós: depende do pronome núcleo.

i) pronome-núcleo no singular – verbo no singular.

a) Qual de nós votou conscientemente?
b) Nenhum de vós irá ao cinema.

 

ii) pronome-núcleo no plural – o verbo fica na 3ª pessoa do plural ou concorda com o pronome pessoal.

a) Quais de nós votaram (votamos) conscientemente?
b) Muitos de vós foram (fostes) insultados.

 

⇒ Sujeito composto anteposto ao verbo: o verbo fica no plural.

  1. O anel e os brincos sumiram da gaveta.

i) com núcleos sinônimos – os verbos ficam no singular ou no plural.

a) O rancor e o ódio cegou o amante.
b) O desalento e a tristeza abalaram-me.

 

ii) com núcleos em gradação – o verbo fica no singular ou no plural.

a) um minuto, uma hora, um dia passa/passam rápido.

 

iii) dois infinitivos como núcleos – o verbo fica no singular.

a) estudar e trabalhar é importante.

 

iv) dois infinitivos exprimindo ideias opostas – o verbo fica no plural

a) Rir e chorar se alternam.

 

⇒ Sujeito composto posposto:  concordância normal ou atrativa (com o núcleo mais próximo).

  1. Discutiram / discutiu muito o chefe e o funcionário.

Se houver ideia de reciprocidade, o verbo vai para o plural (Estimam-se o chefe e o funcionário.).

Quando o verbo “ser” estiver acompanhado de substantivo plural, o verbo também se pluraliza (Foram vencedores Pedro e Paulo.).

 

⇒ Sujeito composto de diferentes pessoas gramaticais: depende da pessoa prevalente.

i) eu + outros pronomes – verbo na 1ª pessoa plural (eu, tu e ele sairemos).

ii) tu + eles – verbo na 2ª pessoa do plural (preferencialmente) ou na 3ª pessoa do plural (tu e teu colega estudastes/estudaram?).

Se o sujeito estiver posposto, também vale a concordância atrativa (saímos/saí eu e tu).

 

⇒ Sujeito composto resumido por um pronome-síntese (aposto): concordância com o pronome.

  1. Risos, gracejos, piadas, nada a alegrava.

 

⇒ Expressão “um e outro”: o verbo fica no singular ou no plural

  1. Um e outro falava/ falavam a verdade.

Com ideia de reciprocidade – o verbo fica no plural (Um e outro se agrediram).

 

⇒ Expressão “um ou outro”: o verbo fica no singular.

  1. Um ou outro rapaz virava a cabeça para nos olhar

 

⇒ Sujeito composto ligado por “nem”: o verbo fica no plural.

  1. Nem o conforto, nem a glória lhe trouxeram a felicidade.

Aparecendo mais de um pronome pessoal, leva-se em conta a prioridade gramatical (Nem eu, nem ela fomos ao cinema.).

 

⇒ Expressão “nem um nem outro”: o verbo fica no singular.

  1. Nem um nem outro comentou o fato.

 

⇒ Sujeito composto ligado por “ou”: faz-se em função da ideia transmitida pelo “ou”.

i) ideia de exclusão – o verbo fica no singular
a) José ou Pedro será eleito para o cargo / um ou outro conhece seus direitos

 

ii) ideia de inclusão ou antinomia – o verbo fica no plural
b) matemática ou física exigem raciocínio lógico / riso ou lágrimas fazem parte da vida

 

iii) ideia explicativa ou alternativa – concordância com sujeito mais próximo
c) ou eu ou ele irá / ou ele ou eu irei

 

⇒ Expressão “um dos que”: verbo no singular (um) ou plural (dos que).

a. Ele foi um dos que mais falou/falaram.

 

Se a expressão significar apenas um, o verbo deve ficar no singular

b. É uma das peças de Nelson Rodrigues que será apresentada.

 

⇒ Se o sujeito for um número percentual: deve-se observar a posição do número percentual em relação ao verbo.

i) O verbo concorda com o termo posposto ao número
a) 80% da população tinha mais de 18 anos / dez por cento dos sócios saíram da empresa

ii) O verbo concorda com o número quando estiver anteposto a ele
b) Perderam-se 40% da lavoura.

iii) O verbo fica no plural, se o número vier determinado por artigo ou pronome no plural
c) Os 87% da produção perderam-se / aqueles 30% do lucro obtido desapareceram.

 

⇒ Se o sujeito for um número fracionário: o verbo deve concordar com o numerador.

  1. 1/4 da turma faltou ontem.
  2. 3/5 dos candidatos foram reprovados.

 

⇒ Sujeito composto antecedido de “cada” ou “nenhum”: o verbo fica na 3ª pessoa do singular.

  1. Cada criança, cada adolescente, cada adulto ajudava como podia.
  2. Nenhum político, nenhuma cidade, nenhum ser humano faria isso.

 

⇒ Sujeito composto ligado por como, assim como, bem como (formas correlativas): Deve-se preferir o plural, sendo mais raro o singular.

  1. Rio de Janeiro como Florianópolis são belas cidades.
  2. Tanto uma, como a outra, suplicava-lhe o perdão.

 

⇒ Sujeito composto ligado por “com”: Deve-se observar a presença ou não de vírgulas.

i) verbo no plural sem vírgulas
a) Eu com outros amigos limpamos o quintal.

ii) verbo no singular com vírgulas, ideia de companhia
b) O presidente, com os ministros, desembarcou em Brasília.

 

⇒ Sujeito indeterminado + SE: o verbo deve ficar no singular.

  1. Assistiu-se à apresentação da peça.

 

⇒ Sujeito paciente ao lado de um verbo na voz passiva sintética: o verbo concorda com o sujeito.

  1. Discutiu-se o plano.
  2. Discutiram-se os planos.

 

⇒ Locução verbal constituída de: parecer + infinitivo: o verbo “parecer” varia ou fica no infinitivo.

  1. As pessoas pareciam acreditar em tudo.
  2. As pessoas parecia acreditarem em tudo.

 

⇒ Com o infinitivo pronominal, flexiona-se apenas o infinitivo.

  1. Elas parece zangarem-se com a moça.

 

⇒ Verbos dar, bater e soar + horas: os verbos têm como sujeito o número que indica as horas.

  1. Deram dez horas naquele momento.
  2. Meio-dia soou no velho relógio da igreja.

 

⇒ Verbos indicadores de fenômenos da natureza: os verbos ficam na 3ª pessoa do singular por serem impessoais, extensivo aos auxiliares se estiverem em locuções verbais.

  1. Geia muito no Sul.
  2. Choveu por muitas noites no verão.

Em sentido figurado os verbos deixam de ser impessoais (Choveram vaias para o candidato.)

 

⇒ Haver com sentido de existir ou acontecer. E fazer com sentido de tempo decorrido é impessoal.

  1. Havia vários alunos na sala (= existiam).
  2. Houve bastantes acidentes naquele mês. (= aconteceram)
  3. Não a vejo faz uns meses (= faz).
  4. Deve haver muitas pessoas na fila (devem existir).

 

⇒ Considera-se errado o emprego do verbo ter por haver quando tiver sentido de existir ou acontecer.

  1. Há um lugar ali / tem um lugar ali.

 

⇒ Os verbos “existir” e “acontecer” são pessoais e concordam com seu sujeito

  1. Existiam sérios compromissos. / Aconteceram bastantes problemas naquele dia.

 

⇒ O verbo fazer indicando tempo decorrido ou fenômeno da natureza é impessoal.

  1. Fazia anos que não vínhamos ao Rio.
  2. Faz verões maravilhosos nos trópicos.

⇒ Verbo ser: É impessoal quando indica data, hora e distância, concordando com a expressão numérica ou a palavra a que se refere (Eram seis horas. / Hoje é dia doze. / Hoje é (são) doze. / Daqui ao centro são treze quilômetros.).

Se o verbo “ser” estiver entre dois núcleos das classes a seguir, em ordem, concordará, preferencialmente, com a classe que tiver prioridade, independente de função sintática.

 

⇒ Pronome pessoal → pessoa → substantivo concreto → substantivo abstrato → pronome indefinido, demonstrativo ou interrogativo.

  1. Tu és Maria.
  2. Maria és tu.
  3. Tu és minhas alegrias.
  4. Minhas alegrias és tu.
  5. Maria é minhas alegrias.
  6. Minhas alegrias é Maria.
  7. As terras são a riqueza.
  8. A riqueza são as terras.
  9. Tudo são flores.
  10. Emoções são tudo.

 

⇒ Se o sujeito é uma palavra coletiva, o verbo concordará com o predicativo.

  1. A maioria eram adolescentes.
  2. A maior parte eram problemas.

 

⇒ O sujeito indicando peso, medida, quantidade + “é pouco”, “é muito”, “é bastante”, “é suficiente”, “é tanto”, verbo ser deve ficar no singular.

  1. Três mil reais é pouco pelo serviço.
  2. Dez quilômetros já é bastante para um dia.

 

⇒ Silepse de pessoa: O verbo concorda com um elemento implícito.

  1. A formosura de Páris e Helena foram causa da destruição de Tróia.
  2. Os brasileiros somos improvisadores (ideia de inclusão de quem fala entre os brasileiros).