[GER-BI] 5.1 – Apostila

c) Filo Platelmintos

São animais conhecidos como vermes, cuja principal carac­terística é o corpo geralmente achatado. Vivem principal­mente em ambientes aquáticos e terrestres úmidos, tendo vida livre ou parasitando outros animais. Diferem das espon­jas e celenterados por possuírem simetria bilateral, terem três camadas de células (endo, meso e epiderme) e maior diferenciação celular. Assim como os celenterados, apresen­tam tudo digestório incompleto, apenas com a presença da boca. A reprodução pode ser assexuada (regeneração, bipartição) ou sexuada.

Divididos em três classes:

i) Turbelaria: representados pelas planárias, tem vida livre, e se alimentam de animais vivos ou mortos.

ii) Trematoda: todos parasitas, com corpo revestido por uma cutícula protetora e presença de estruturas de fixação no hospedeiro (ventosas e ganchos). Como representante, Schistosoma mansoni, causador da barriga d’água/esquistos­somose.

iii) Cestoidea: todos endoparasitas, tendo como represen­tantes Taenia solium e Taenia saginata, causadores de teníase e cisticercose respectivamente.

 

 

Doenças causadas por platelmintos:

⇒ Esquistossomose: doença causada pelo Schistossoma man­soni, e temo como hospedeiro definitivo o homem, enquanto que o hospedeiro intermediário é um caramujo, principal­mente do gênero Biomphalaria.

O verme adulto e aloja nas veias do sistema porta hepático do homem, e de lá migram para as veias do intestino. Ao depositarem os ovos nos vasos, os esporões dos ovos rompem os tecidos e são liberados com as fezes. Caindo em água doce, saem dos ovos as larvas miracídio que nada até o caramujo. No caramujo, se transformam em esporócitos que originam as cercarias, as quais nadam ativamente até o homem, pene­trando na pele e migrando para a corrente sanguínea.

Danos:Uma vez alojados no fígado, podem provocar hemor­ragias, intestino preso, comprometimento do fígado e acú­mulo de líquidos pela obstrução dos vermes (barriga d’água).

Profilaxiacontrole do caramujo, higiene sanitária, trata­mento dos doentes para evitar disseminação, evitar lagoas contaminadas.

 

⇒ Teníase: doença que pode ser causada por adultos de Taenia solium (hospedeiro intermediário é o porco) ou Taenia saginata (hospedeiro intermediário é o boi), sendo o homem o hospedeiro definitivo. É também conhecida como “solitária”, pois geralmente ocorre apenas um verme no intestino parasitado. Esses animais apresentam na região da cabeça, estruturas de fixação(escólex), seguida de anéis/proglótides. São seres hermafroditas, capazes de autofecun­dação em cada anel, onde os espermatozóides de um anel fecundam os óvulos de outro segmento. A medida que os anéis são fecundados e amadurecem os ovos, se desprendem e são eliminados com as fezes. O porco ou boi se alimentam desses anéis gravídicos ou dos ovos, liberados no ambiente.

Dentro do intestino do animal, os embriões (oncosfera) deixam a proteção dos ovos e, por meio de seis ganchos, perfuram a mucosa intestinal, caindo na corrente sanguínea e, alcançando os músculos e o fígado, transformando-se em larvas denominadas cisticercos. O homem, ao se alimentar dessa carne (suína ou bovina) crua ou mal cozida se conta­mina com a larva que se desenvolve e gera o adulto.

 

⇒ Cisticercose: doença mais comum pela ingestão de larvas cisticerco de Taenia solium. Nesse caso, o homem atua como hospedeiro intermediário, fazendo o papel do porco. Para isso, ingere alimentos contaminados com fezes humanas com ovos de Taenia solium. O aparelho digestório humano libera o oncosfera que migra, na maioria das vezes, para os olhos e cérebro. Essa doença pode ser fatal.

Danos: fome intensa ou falta de apetite, enjoos, diarreia, alterações nervosas, irritação, fadiga e insônia

Profilaxia: não ingerir carne crua ou mal passada, tratar pessoas contaminadas, higiene sanitária.

HOSPEDEIRO DEFINITIVO
Aquele que abriga o parasita em fase de maturidade sexual ou de reprodução sexuada.

HOSPEDEIRO INTERMEDIÁRIO
Aquele que abriga o parasita na fase larval ou de reprodução assexuada.

 

d) Filo Nematelmintos

Vermes de corpo cilíndrico, que vivem em todos os ambien­tes (marinho, água doce e terrestre). Maioria de vida livre, com espécies parasitas tanto de animais como de vegetais. Possuem corpo revestido por cutícula lisa e dura, que lhes confere proteção contra a ação de sucos digestivos dos hos­pedeiros, além de aparelho digestório completo, com boca e ânus. A excreção se dá por um único poro excretor.

 

Doenças causadas por nematoides:

⇒ Ascaridíase: doença causa pela lombriga, o Ascaris lumbricoides, que parasita o intestino humano. O contágio ocorre com a ingestão de ovos do verme, presente no solo, água ou alimentos contaminados. A ação dos sucos digestivos digerem a casca dos ovos, liberando larvas no intestino, que é perfurado fazendo com que elas cheguem aos vasos sanguí­neos. De lá migram para o pulmão, onde crescem e, depois de deglutidas, vão para o intestino onde o adulto se desenvolve.

Danos: bronquite, vômitos, convulsões, febre, abdômen volumoso, cólicas, anemia, tosse, obstrução intestinal.

Profilaxia: tratar os doentes, higiene sanitária.

 

⇒ Amarelão: também conhecida como ancilostomíase, mal da terra e doença do Jeca Tatu, é causada pelo nematoide Necator americanus ou Ancylostoma duodenale. A pessoa se contamina ao entrar em contato com as larvas (filarióides) que ficam o solo e penetram ativamente na pele do homem. Depois, vão para a corrente sanguínea, tal como o ciclo da lombriga. Migram para o pulmão e depois par ao intestino, onde os adultos se alojam e se reproduzem, liberando ovos que saem junto das fezes. Desses ovos saem as larvas rabdi­toides que ficam no solo e se transformam na larva filarióide.

Danos: tosse, cólicas, náuseas, hemorragias, anemia.

Profilaxia: tratar os doentes, higiene sanitária, andar calça­do, usar luvas para mexer com terra.

 

⇒ Filariose: conhecida como elefantíase, é um doença causada principalmente pelos nematoides Wuchereria ban­crofti, que se alojam nos vasos linfáticos da pessoa. O verme é transmitido por mosquitos do gênero Culex, Anopheles, Mansonia ou Aedes.

As larvas do nematoide são transmitidas pela picada dos mosquitos que caem na corrente sanguínea indo para os vasos linfáticos, onde se maturam nas formas adultas sexuais. Após oito meses, começam a produzir microfilárias que surgem no sangue e em outros órgãos. Outro mosquito é infectado ao picar um humano doente. No mosquito as mi­crofilárias modificam-se em formas infectantes, que migram principalmente para as glândulas salivares e são liberadas com nova picada.

Danos: inchaço e obstrução dos vasos linfáticos

Profilaxia: tratar os doentes, evitar proliferação dos vetores.

 

e) Filo Anelídeos

Animais que apresentam corpo segmentado. Habitam ambientes terrestres (minhoca), água doce (sanguessuga) e marinhos (poliquetas). Corpo revestido por cutícula fina que secreta muco que mantem o corpo úmido, necessário para as trocas gasosas (respiração cutânea). Sistema cardiovascular é do tipo fechado (dentro de vasos sanguíneos) e a excreção se dá por nefrídios. A reprodução é apenas sexuada. São hermafroditas, com reprodução cruzada.

 

f) Filo Artrópodes

Animais que ocorrem em praticamente todos os ambientes, sendo o filo mais abundante com mais de 1 milhão de espécies descritas. Apresentam apêndices articulados, o que os diferencia dos anelídeos. O corpo é revestido por um exoesqueleto de quitina, que lhes garante proteção física e contra perda de água. Em função de ser uma carapaça dura, para crescer, precisam romper esse tegu­mento e produzir outro, processo chamado de muda/ecdise.

São classificados de acordo com a divisão do corpo, número de patas e antenas/apêndices:

i) Insetos: corpo dividido em três partes (cabeça, tórax e abdômen), um par de antenas, dois pares de asas, três pares de patas. Únicos invertebrados capazes de voar. Sistema respiratório é do tipo traqueal e a excreção se dá pelos túbu­los de Malpighi que se conectam ao intestino.

Exemplos: barata, formiga, besouro, pulga, traça, borboleta.

 

ii) Crustáceos: corpo dividido em duas partes (cefalotórax e abdômen), cabeça com dois pares de antenas, vários pares de patas. Possuem exoesqueleto enriquecido com carbonato de cálcio. Sistema respiratório através de brânquias e o excre­tório, realizado pelas glândulas verdes/antenais.

Exemplo: tatuzinho de jardim, lagosta, camarão, cracas, caranguejo, siri.

 

iii) Aracnídeos: corpo dividido em duas partes (cefalotórax e abdômen), quatro pares de patas, um par de palpos e um par de quelíceras. Não possuem antenas. Sistema respiratório através de filotraquéias. Sistema excretório pelos túbulos de Malpighi e glândulas coxais.

Exemplo: aranhas, escorpiões, carrapatos e ácaros.

 

iv) Miriápodes: engloba os quilópodas (um par de patas por segmento, corpo dividido em cabeça e tronco), represen­tado pelas centopeias e lacraias; e os diplópodas (dois pares de patas por segmento, corpo dividido em cabeça, tronco e abdômen), como é o caso do piolho-de-cobra. Ambos possuem um par de antenas.

 

g) Filo Moluscos

São animais de corpo mole, sem segmen­tação, dividido em cabeça, pé e massa visceral. Ocupam tanto o ambiente terrestre como aquático. O pé a estrutura muscular mais desenvolvida, servindo para deslocar, cavar, nada e capturar presas. A outra parte do corpo é formada por uma massa visceral, que compõe o restante dos órgãos e sistemas (sistema digestório, excretor, nervoso e reprodutor). Envolta dessa massa visceral encontra-se o manto, respon­sável secreção da concha. Na cabeça encontram-se alguns órgãos sensoriais, como os olhos e a boca. Esses animais apresentam sistema digestório completo, sendo que na boa encontra-se a rádula, que auxilia no processo de alimentação.

São classificados:

i) Bivalves: concha formada por duas valvasSão todos aquáticos e filtradores, sem cabeça diferenciada.
Exemplos: mexilhão, ostras, mariscos.

 

ii) Gastrópodes: Formados por única concha, com a cabeça ligada diretamente ao corpo. São de ambiente aquático e terrestre úmido.
Exemplos: caramujos e lesmas.

iii) Cefalópodes: são os moluscos mais desenvolvidos, com a cabeça localizada entre a massa visceral e o pé, que é transforma­do em tentáculos. São exclusivamente marinhos e predadores.
Exemplos: polvos e lulas.

 

h) Filo Equinodermas

Animais não segmentados e exclusi­vamente marinhos. São representados pelos ouriços-do-mar, estrelas-do-mar, bolachas-do-mar, pepino-do-mar. Possuem um endoesqueleto calcário e pés ambulacrais, que auxiliam na locomoção.

 

i) Filo Cordados

São animais que apresentam uma ou mais dessas características em uma fase da vida:

  • Sistema nervoso dorsal
  • Fendas branquiais na faringe
  • Notocorda

São classificados em:

i) Protocordados: (não possuem vértebras e crânio prote­gendo o tudo nervoso dorsal), exclusivamente marinhos e filtradores, representados pela Ascidia e Anfioxo.

ii) Craniados/Vertebrados: aqueles que, além das caracte­rísticas gerais dos cordados, também apresentam em pelo menos uma fase da vida:

  • coluna vertebral e crânio = proteção da medula e encéfalo
  • sistema cardiovascular fechado com o coração ventral
  • diferenciação do encéfalo no sistema nervoso
  • tegumento externo diferenciado em três camadas

Dentro dos vertebrados, temos a divisão em:

Agnatas (sem mandíbula) → Classe Ciclóstomas

Gnatostomatas (com mandíbula) → Super Classe Peixes 

Condrictes/Cartiloginosos
Osteictes/Ósseos

Super Classe Tetrápoda

Anfíbios
Répteis
Aves
Mamíferos

⇒ Ciclóstomas:  animais com boca circular, aquáticos, com fecundação externa e desenvolvimento indireto (larvas). Exemplo: lampréia.

 

⇒ Peixes Cartilaginosos: possuem esqueleto cartilaginoso, com fendas branquiais que se abrem diretamente na pele. A fecundação geralmente é interna, com desenvolvimento dire­to (vivíparos ou ovíparos). A boca é localizada ventralmente. Exemplos: tubarões, arraias, quimera.

 

⇒ Peixes Ósseos: possuem esqueleto ósseo além das cartilagens, com as fendas branquiais cobertas pelo opérculo. A fecundação geralmente é externa, com desenvolvimento indireto. A boca é localizada na parte anterior. Apresentam a bexiga natatória, que favorece a flutuação. Exemplos: lambari, dourado, pacu.

 

⇒ Anfíbios: Animais que apresentam uma fase aquática (lar­val) e outra terrestre (adulto), sendo dependentes da água para a reprodução. Vivem em água doce, possuem tegumen­to liso, com glândulas mucosas que mantem o tegumento úmido, auxiliando a respiração cutânea. A fecundação pode ser interna (salamandra) ou externa (sapos), com o desen­volvimento indireto (larvas girino).
Exemplos: rãs, pererecas, sapos, salamandra, cobra-cega.

 

⇒ Répteis: animais terrestres, que não dependem da água para reproduzir, já que desenvolveram maneiras para suprir isso, como a pele seca, corneificada, com placas ósseas e escamas, além de ovos com casca rígida e excreção de ácido úrico com urina semissólida, o que diminui a perda de água. A fecundação é interna e com desenvolvimento direto, sendo a maioria ovípara. Exemplo: cobras, lagartos, tartarugas, crocodilos.

Obs.: répteis, anfíbios e peixes são animais ectotérmicos, cuja temperatura varia conforme o ambiente.

 

⇒ Aves: animais adaptados ao voo, graças ao formato aerodi­nâmico, com o corpo coberto por penas, membros anteriores transformados em asas, ossos pneumáticos, osso esterno com uma quilha que permite melhor inserção dos músculos das asas, sacos aéreos ligados aos pulmões que aumentam a eficiência respiratória, e ausência de bexiga urinária. São endotérmicos, ca­pazes de regular a temperatura corporal, mantendo-a constante. Possuem a glândula uropigiana, que auxilia na impermeabiliza­ção das penas. A fecundação é interna, com a postura de ovos.

Exemplos: galinha, beija-flor, falcão, pardal, pinguim.

 

⇒ Mamíferos: dentre os animais, é a classe mais evoluída, e tem como principais características o corpo coberto por pelos, glândulas epidérmicas (sudoríparas, sebáceas, mamá­rias), hemácias anucleadas, presença do músculo respiratório (diafragma) que separa tórax do abdômen, fecundação e desenvolvimento internos. Apenas os monotremados (or­nitorrinco e equidna) ovipositam, sendo que nos demais o embrião é nutrido pela placenta.

Exemplo: cachorro, baleia, morcego, cavalo, vaca.