[GER-HU] 8.1 – Apostila

IDADE MÉDIA E IDADE MODERNA

A Idade Média tem início na queda do Império Romano em 476 d.C. e termina na invasão dos Turcos-Otomanos à cidade de Constantinopla em 1453, quando ocorreu o início das grandes navegações. Nesse período vamos destacar o Feudalismo.

1) Idade Média:

a) Feudalismo

A palavra feudo está relacionada com o uso da terra, e o seu dono era o Senhor Feudal, que vivia em um castelo cercado por enormes muros. É uma sociedade autossuficiente e dividida em classes, o clero e a nobreza no topo da sociedade e os servos na base. Como praticamente não havia possibilidade de mudança social, dizemos que a sociedade feudal era estamental.

Todas as atividades eram voltadas ao coletivo e podemos considerar que o poder nesse período era descentralizado, já que havia vários senhores feudais. Os servos poderiam viver em suas terras, e em troca, deve­ riam pagar vários tributos, como a corveia, onde o servo deveria se dedicar cerca de 50% dos seus dias ao trabalho nas terras do Senhor Feudal e as banalidades, quando ele precisava usar alguma instalação do feudo.

O crescimento populacional gerou a crise no feudo, pois não havia terras para todos e muitos tiveram que sair, passando a se organizar em cidades. Como a vida no feudo era difícil, ao longo dos anos eles ficaram cada vez mais raros e a vida na cidade cada vez mais comum. Logo surge a atividade comercial e os burgueses tornam-se cada vez mais importantes na sociedade europeia.

 

2) Idade Moderna:

O período das Grandes Navegações, as formas de coloniza­ção e a história do Brasil colonial são muito recorrentes nas provas dos vestibulinhos. Portanto, estude muito os assuntos deste período.

a) Grandes Navegações

Os turcos fecharam a passagem até as Índias, por onde era feito o comércio de especiarias (canela, gengibre, pimenta e outros temperos). Logos alguns povos europeus lançaram-se sobre os mares para tentar encontrar uma nova rota para Índia. A evolução das embarcações e as novas descobertas da época, permitiram a tentativa de Cristovão Colombo de ten­tar chegar à Índia pelo Atlântico, achando que era possível dar a volta ao mundo. Foi então que ele chegou à América em 1492.

Após a descoberta, temos o início da colonização por vários povos, mas que seguiram basicamente dois modelos:

⇒ Povoamento: sistema predominante da América Anglo-Saxônica, adotada pelos ingleses e franceses. Trata-se de um sistema onde predominava as médias e pequenas proprieda­des, policultura, a mão de obra era assalariada e a produção voltada para o mercado interno.

⇒ Exploração: este tipo de colonização foi predominante na América Latina, adotada pelos espanhóis e portugueses. Tra­ta-se de um sistema onde predominava as grandes proprie­dades, monocultura, mão de obra era escrava e a produção voltada para atender o mercado externo.

 

Perceba que as principais características desses dois modelos são opostas e muitas vezes apontadas como principais res­ponsáveis pelo desenvolvimento dos países anglo-saxônicos. O Brasil foi uma colônia de exploração e tivemos a ocupa­ção do território ligada a alguns ciclos econômicos. Veja os principais:

⇒ Pau Brasil: era encontrado principalmente no litoral brasileiro e foi a primeira mercadoria comercializada pelos portugueses a partir do século XVI. Contavam com a ajuda dos índios que ajudavam os portugueses em troca de mercadorias banais. Como não havia a cultura de preserva­ção e conservação Pau Brasil foi praticamente extinto.

⇒ Cana de Açúcar: o território brasileiro ainda não tinha grande importância econômica para Portugal. A cana de açúcar foi uma escolha devido à necessidade de colonizar e explorar o Brasil. Esse ciclo tornou-se muito importante, atraindo a atenção de outras nações. A Holanda invadiu o Brasil em duas ocasiões, em 1624 e 1630. Ao serem expulsos do território brasileiros, já haviam adquirido experiência no cultivo da cana e tornaram-se fortes concorrentes, prejudi­cando esse setor aqui no Brasil. É importante lembrar que a mão de obra era a negra africana.

⇒ Ciclo do Ouro: o ouro foi descoberto no Brasil em Minas Gerais no final do século XVII. Porém foi no século XVIII que ele ganhou importância econômica, alcançando o seu apogeu entre 1750 a 1770. Temos a mudança do centro econômico, do Nordeste para a região Sudeste e também a mudança da Capital brasileira de Salvador para o Rio de Janeiro. Algumas taxações tornaram-se importantes na época. O quinto – um quinto do ouro explorado no Brasil deveria ser enviado para Portugal. Derrama: após a redução da extração, Portugal determinou uma quota de 1500 quilos anuais de ouro, que caso não fosse atingida, uma “varredura” deveria ocorrer até chegar nessa marca. A base da mão de obra também era a escrava.

⇒ Ciclo do Café: ocorre a partir do século XIX, che­gando à região Norte do Brasil. Mas foi no Vale do Paraíba (entre Rio de Janeiro e São Paulo) que ele passa a impulsio­nar a economia brasileira, chegando a ser o nosso principal produto exportado. A mão de obra era escrava, mas a partir da abolição da escravatura em 1888, a imigração, principal­mente dos italianos foi incentivada. Após a crise de 1929, o café sofreu um forte abalo e o governo passou a interferir na economia.

⇒ Ciclo da Borracha: após o desenvolvimento da vulcanização, por Charles Goodyear, a produção da borra­cha no Brasil na região amazônica ganhou muita importân­cia econômica e para a ocupação de um território que era pouco habitado. Os nordestinos foram os que mais migra­ram para trabalhar nesta região que passou a ter um grande crescimento econômico. Porém o seu declínio começou com a concorrência das colônias inglesas na Ásia, que gerou a queda do preço e piorou com a adoção da borracha sintética, que é derivada do petróleo, quando este ciclo chega ao fim.

b) Escravidão

A escravidão foi muito marcante na história econômica do Brasil, iniciada desde o início da colonização, inicialmente com os indígenas, mas principalmente com os negros africa­nos, pois o seu comércio gerava muito lucro aos europeus. Os escravos africanos foram utilizados principalmente para o trabalho na agricultura e durante a mineração. Quando não estavam trabalhando, eram presos nas senzalas, sob péssimas condições. Os que conseguiam fugir procuravam os quilom­bos, que eram agrupamentos no meio da mata formados principalmente por ex-escravos.

Só a partir do século XIX é que algumas pessoas passaram a desenvolver um sentimento abolicionista e passaram a pressionar para a conquista da abolição. Algumas leis foram criadas para acabar com a escravidão. Veja a seguir:

⇒ Lei Eusébio de Queirós: de 1850 que proibia o tráfico ne­greiro. Essa lei foi devido a grande pressão dos ingleses.

⇒ Lei do Ventre Livre: de 1871, que determinava que todo filho de escravo nascido a partir desta lei não seria mais escravo.

⇒ Lei do Sexagenário: todo escravo acima de 60 anos seria considerado livre. Porém, foi ineficaz, pois quase nenhum escravo chegava a essa idade.

⇒ Lei Áurea: assinada pela Princesa Isabel em 1888, declara­va extinta a escravidão no Brasil.

 

Preste atenção que a liberdade foi dada, mas não houve nenhuma política para inserir esta população ao mercado de trabalho. Pelo contrário, o governo incentivou a imigração e isso colaborou para a marginalização da população negra no Brasil.