[GER-BI] 2.1 – Apostila

REINOS

Os seres vivos são classificados e organizados de acordo com suas estruturas e as relações evolutivas entre si. Para isso, foram divididos em 5 reinos: Monera, Protista, Fungi, Vegetal e Animal.

Com a grande diversidade e também as similaridades, os seres vivos são classificados e divididos em diferentes categorias taxonômicas, que são o REINO, FILO, CLASSE, ORDEM, FAMÍLIA, GÊNERO e ESPÉCIE. A espécie é a unidade básica de classificação e, quando semelhantes, são agrupadas em gê­neros e estes agrupados em famílias. As famílias, por sua vez, agrupam-se em ordens e as ordens em classes. O filo é grupos taxonômicos superior, sendo o reino a categoria mais ampla.

Exemplo:

REINO Animal
FILO Chordata
CLASSE Mammalia
ORDEM Primata
FAMÍLIA Hominidae
GÊNERO Homo
ESPÉCIE Homo sapiens

 

1) Reino Monera:

Formado por bactérias, cianobactérias e arqueobacté­rias. São os seres vivos mais simples, sendo unicelulares e procariontes. Estão presentes em todos os ambientes, tendo grande importância para a saúde (causadoras de doenças), meio ambiente (decomposição de matéria orgânica, ciclo do nitrogênio) e econômica (engenharia genética e produção de iogurtes, coalhada)

Em relação ao tipo de alimentação, encontram-se bactérias heterótrofas e autótrofas. As heterótrofas são principalmen­te decompositoras de matéria orgânica e parasitas. Já as autó­trofas são aquelas que produzem o próprio alimento através do processo de fotossíntese e/ou quimiossíntese.

Existem bactérias que se utilizam do oxigênio (aeróbicas) enquanto outras podem se utilizar dele ou não (anaeróbicas facultativas), como no caso dos lactobacilos. Bactérias cuja presença do oxigênio é letal, são denominadas anaeróbicas estritas, como ocorre com a bactéria do tétano (Clostridium tetani).

A reprodução das bactérias pode ser tanto assexuada (mais comum), como sexuada. No primeiro caso, o material gené­tico (DNA) se duplica e a célula se divide em duas, através da bipartição/cissiparidade, gerando cópias idênticas (clones). Nesse caso, só ocorre variabilidade genética se houver mu­tação. Sob certas condições, a célula bacteriana pode gerar esporos, configurando maior resistência ambiental até que o ambiente se torne habitável.

Na reprodução sexuada, há necessidade da transferência de partes do DNA entre as células bacterianas, os quais se recombinam e formam nova mistura de genes. Isso pode ocorrer por transformação (bactéria absorve DNA disperso no meio), transdução (moléculas de DNA são transferidas de uma bactéria a outra através de um vírus bacteriófago) e conjugação (bactérias se unem através de um tubo proteico e trocam material genético).

a) Doenças Importantes causadas por bactérias

  • Via água: cólera, febre tifóide, leptospirose (urina de ratos contaminados)
  • Via ar: difteria, coqueluche (tosse comprida), meningite bacteriana, tuberculose, pneumonia, hanseníase (lepra)
  • Via alimento estragado: botulismo (intoxicação alimentar)
  • Via relação sexual: gonorreia, sífilis (cancro duro)
  • Via feridas: tétano, febre puerperal

 

⇒ O que é vacina?

É um mecanismo de proteção onde introduz-se na pessoa microrganismos (mortos ou atenuados) para que se estimule uma resposta de defesa através da produção de glóbulos brancos específicos, os anticorpos. Um vez produzidos, o organismo guarda uma memória de como produzir esses anticorpos. Assim, quando for exposto a esse microrganismo novamente, essas células serão capazes de combatê-lo, impe­dindo que fique doente.

 

 

2) Reino Protista:

Este reino compreende os protozoários (protistas heterótro­fos) e algas unicelulares (protistas autótrofos – fotossinteti­zantes), sendo todos eucariontes e unicelulares. Os principais representantes são as amebas, paramécios, tripanossomas e euglenas.

Em sua grande maioria, são aquáticos, tanto de água doce como salgada. Constituem o plâncton (fito e zooplâncton). No caso do fitoplâncton, são a base da cadeia alimentar, e constituem mais de 90% de toda a produção de oxigênio do planeta, com grande importância ecológica.

Maré Vermelha:

Fenômeno que ocorre quando algumas algas (dinoflagelados) se proliferam excessivamente, liberando toxinas e contaminan­do animais filtradores (mariscos) e peixes.

A classificação se dá de acordo com as estruturas de locomoção:

i) Classe Sarcodina: locomovem-se por pseudópodes (“falsos pés”) → amebas

 

ii) Classe Mastigophora/Flagelados: locomovem-se por flagelos → Trypanossoma cruzi

 

iii) Classe Ciliado: locomovem-se por cílios → Paramecium

 

iv) Classe Esporozoa: sem estruturas de locomoção → Plasmodium

Sendo unicelulares, são organismos que podem possuir algumas especializações em suas células, que são adaptadas ao ambiente em que vivem. A respiração e excreção ocorrem por trocas gasosas via difusão da membrana plasmática. A nutrição, quando heterótrofos, ocorre através da penetração do alimento na célula, geralmente pelo processo de fagocito­se (englobamento do alimento). Como são seres que vivem em ambiente aquático, há um eficiente controle osmótico, realizado pelo vacúolo contrátil/pulsátil. A reprodução mais comum é a bipartição (assexuada).

Além da importância ecológica, são de importância médica por causarem inúmeras doenças:

Doença Agente causador Agente transmissor
Malária Plasmodium sp. Anopheles sp.

(mosquito prego)

Doença de Chagas Trypanossoma cruzi Triatoma infestans

(barbeiro)

Úlcera de Bauru Leishmania brasiliensis Phlebotomus sp.

(mosquito palha)

Giardíase Giardia lamblia água e alimentos contaminados
Amebíase Entamoeba histolytica água e alimentos contaminados

⇒ MALÁRIA

Mosquitos fêmeas, contaminadas, podem transmitir os pro­tozoários no momento da picada. A contaminação também pode ocorrer pela transfusão de sangue contaminado, uso de seringas infectadas ou durante a gravidez.

Uma vez inoculado no homem, o protozoário (esporozoíto) aloja-se no fígado e se reproduz de forma assexuada, geran­do os merozoítos, que infectam as hemácias. Nessas células, reproduzem-se novamente de forma assexuada (por isso o homem é o hospedeiro intermediário). Posteriormente, rompem essas células para caírem na corrente sanguínea e possibilitar a contaminação de novos mosquitos. Em função dessa ação, as pessoas apresentam intenso mal estar e febre alta. No interior do inseto, os gametas do protozoário se encontram no tubo digestório e ocorre a reprodução sexuada (inseto é o hospedeiro definitivo). No estômago, através de reprodução assexuada, geram-se esporozoítos que migram para as glândulas salivares até serem inoculados novamente em outra pessoa.

Profilaxia: evitar picada dos mosquitos, controlando esse vetor e tratar dos doentes.

 

⇒  DOENÇA DE CHAGAS

O inseto contaminado, ao se alimentar do sangue, defeca sobre a pele da pessoa que, ao sentir coceira devido a pica­da, possibilita a entrada do parasita na corrente sanguínea, migrando para as células musculares, principalmente as cardíacas (lesionando as fibras musculares, o coração perde a capacidade de contração, dando a impressão que aumenta de tamanho). A transmissão também pode ocorrer de mãe para filho durante a gravidez e via transfusão sanguínea. Em casos mais raros, a transmissão via oral (ingerindo-se caldo de cana ou açaí moído contendo o inseto infectado, por exemplo) é possível. O homem é o hospedeiro definiti­vo onde o protozoário se reproduz e, caindo novamente na corrente sanguínea, pode infectar novo inseto (hospedeiro intermediário), dando início a novo ciclo.

Profilaxia: evitar picada do percevejo, controlar esse vetor e tratar dos doentes.

 

3) Reino Fungi:

Formados pelos bolores, mofos e fermentos, são seres euca­riontes, heterótrofos, uni ou pluricelulares, com reprodu­ção assexuada ou sexuada.

Fungos pluricelulares forma um talo de filamentos, chama­dos hifas. Essas hifas formam a parte vegetativa (fixação, absorção) e a parte reprodutora. Quando degradam maté­ria orgânica, liberam enzimas sobre o alimento. Também apresentam associações mutualísticas com algas (líquens) e raízes de plantas (micorrizas).

Esses seres possuem grande importância médica por cau­sarem doenças como as micoses. Também desempenham importante função ecológica, já que que, junto com as bac­térias, são importantes agentes decompositores de matéria orgânica.

Alguns fungos são anaeróbicos, realizando o processo de fermentação. É o que ocorre por exemplo na produção de bebidas alcoólicas (cerveja e vinho) e pães, que se utilizam do Saccharomyces cerevisiae, que transforma o açúcar em álcool etílico e gás carbônico.

O pão “fofinho” nada mais é do que a atividade fermenta­dora que possibilita a formação de bolhas de gás carbônico dentro da massa.