[GER-HU] 12.1 – Apostila

HISTÓRIA DO BRASIL II

1) Proclamação da República:

A partir de 1880, vários episódios contribuíram para a queda da monarquia no Brasil. Primeiro, o endividamento após a Guerra do Paraguai que também contribuiu para o fortaleci­mento dos militares que eram republicanos e abolicionistas. Além disso, a elite agrária do Brasil passou a fazer forte opo­sição a Dom Pedro II, pois se sentiam prejudicados após a abolição da escravatura. E o crescimento da classe média que também era republicana. Foi assim que um levante militar dirigido por Marechal Deo­doro da Fonseca obrigou D. Pedro II a abdicar, no dia 15 de Novembro de 1889, proclamando a República no Brasil.

 

2) República dos Coronéis:

Os primeiros anos da república no Brasil foram caracteri­zados por forte autoritarismo dos governantes. Também podemos chamar este período de Oligarquia, que significa poucos no poder, no caso a elite rural que governava o Brasil. Era muito comum o voto de cabresto, onde o resultado das votações era combinado e muitas vezes alterados a favor das oligarquias. Não havia soberania popular, ou seja, a vontade da maioria não era respeitada.

Outro fator importante a ser considerado foi a Política do Café com Leite, quando o Partido Republicano Paulista (PRP) se une ao Partido Republicano Mineiro (PRM) para indicar os candidatos à presidência. Nesse período conhecido como República Velha (1889 – 1930) as cidades no Brasil não paravam de crescer. Movi­mentos operários eram cada vez mais constantes e greves eram organizadas e o ciclo da borracha viveu o seu auge. Economicamente o café passou por sua pior crise em 1929, no governo de Washington Luiz, gerando uma grande crise econômica, pois era o nosso principal produto exportado.

3) Fim da República Velha:

O ano de 1930 foi muito conturbado. O desentendimento do PRP com o PRM colocou fim a República do Café com Leite e tivemos uma forte disputa pelo poder. Júlio Prestes vence as eleições, mas após muita confusão, não pode assumir e Getúlio Vargas assume, em um governo provisório. Essa é a Revolução de 1930.

 

4) Getúlio Vargas – Governo Provisório (1930 – 1934):

O governo provisório de Vargas deveria durar até o rees­tabelecimento da ordem. E ele tomou medidas drásticas como anular a constituição e substituir os governadores dos Estados brasileiros por tenentes. Também tratou de resolver a crise do café, mandando quei­mar os estoques para reestabelecer a produção. Além disso, exercitou o populismo, com várias medidas que beneficia­vam as massas trabalhadoras, como a criação de um salário mínimo, ganhando apoio das massas populares, chegando a ser chamado de pai dos pobres.

O ano de 1932 foi marcado pela Revolução Constitucio­nalista de São Paulo, pois os paulistas que estavam fora do poder exigiam que a nova constituição brasileira fosse elabo­rada. Foi uma guerra civil, vencida pelo governo, deixando milhares de mortos. Porém, cedendo a pressões, Vargas inicia uma Assembleia Constituinte que elaborou a Constituição Brasileira de 1934, que dava o direito de Vargas Governar até 1938.

 

5) Governo Constitucional de Vargas (1934 – 1937):

Este foi um período muito tenso do governo brasileiro, marcado pelo crescimento do Partido Comunista e do medo da população de uma Revolução Socialista, a exemplo da Revolução Russa. Algumas revoltas ocorreram, mas foram reprimidas pelo governo.

Pessoas ligadas ao governo de Vargas forjaram um plano comunista para tomar o poder no Brasil, chamado de Plano Cohen. Esse plano foi lido na radio para todo o Brasil e colo­cando a população em pânico. O resultado foi que Vargas mandou fechar a Câmara e o Senado e passa a governar sem limite de poderes. É o início do Estado Novo.

 

6) Estado Novo:

Esse foi um período de forte censura à imprensa. Vargas am­plia a legislação trabalhista, aumentando a sua popularidade e inicia um projeto de industrialização do Brasil. Com o início da 2ª Guerra Mundial, consegue o financia­mento de algumas empresas nacionais, como a CSN. Nesse período o Brasil entra na Guerra ao lado dos EUA. Com o Brasil estabilizado politicamente, Vargas anunciou as eleições para 1945. Havia dúvidas se ele permaneceria no cargo, mas foi eleito Eurico Gaspar Dutra e Vargas promete voltar “nos braços do povo”.

 

7) Governo de Dutra:

Esse governo foi marcado por forte oposição aos comunistas e o rompimento das ligações com a URSS. Dutra desenvol­veu o Plano SALTE, investindo principalmente em Saúde, Alimentação, Transporte e Energia.

 

8) O último governo de Vargas (1951 – 1954):

Nesse período a industrialização do Brasil era cobrada pela imprensa e pela população. Havia uma forte discussão para saber se isso seria feito com dinheiro nacional ou capital estrangeiro. Vargas continua com suas medidas populistas, e aumenta em 100% o salário mínimo, porém começa a levantar suspeitas se essas seriam medidas comunistas. Além disso, Vargas era uma ameaça real para a democracia, pois sempre procurou governar de maneira autoritária.

Um atentado a Carlos Lacerda, jornalista que criticava muito Vargas, derruba a popularidade do presidente e faz com que militares pensem em tomar o poder. Diante desta pressão, Getúlio Vargas escreve uma carta e comete suicídio. Então temos um período de comoção nacional, e quem criticava Vargas, passou a ser visto como responsável pelo suicídio pela população. Assume Café Filho, vice de Vargas, até as eleições, vencidas por Juscelino Kubitschek.

 

9) Governo de JK (1956 – 1960):

JK foi um dos presidentes mais populares do Brasil. Em sua política Nacional Desenvolvimentista, criou o Slogan “Cinquenta anos em cinco”. Onde o Brasil cresceria econo­micamente cinquenta anos em cinco de governo. Para isso facilitou a entrada de capital estrangeiro e tratou de incentivar a indústria. Em seu Plano de Metas tratou de investir em infraestrutura, dando destaque para o sistema rodoviário, pois queria incentivar a indústria automobilís­tica, que era estratégica para o crescimento industrial no Brasil. Foi no governo de JK que a nova capital, Brasília, foi construída. Após uma forte inflação e acusações de corrupção, JK perde popularidade e no processo eleitoral é eleito Jânio Quadros e o vice João Goulart.

 

10) Jânio Quadros (1961):

Jânio Quadros foi eleito com a promessa de varrer a corrup­ção do Brasil. A vassoura foi o símbolo da sua campanha. Em um governo muito confuso, conseguiu a oposição da esquerda e direita e em uma tentativa de golpe, manda o vice para a China e pede a renuncia, que é aceita pela Câmara.

 

11) João Goulart (1961 – 1964):

Após muito tumulto e incertezas João Goulart (o Jango) assume a presidência, mas no sistema Parlamentarista, que durou até 1963. Havia uma preocupação muito grande, sobretudo dos militares, se Jango seria uma porta aberta para o comunismo no Brasil. Em 1963, houve um plebiscito e a população escolhe a volta do Presidencialismo. João Goulart ganhou mais poderes e em março de 1964, inicia a sua Reforma de Base. Eram reformas que beneficiavam principalmente os mais pobres, e Jango sofre um Golpe Militar, que o retira do poder. É o início do período militar no Brasil.

 

12) Regime Militar (1964 – 1985):

O regime militar foi um período muito conturbado da história do Brasil. As maiores críticas são sempre feitas com relação à falta de democracia, liberdade de expressão, tortu­ras e misteriosos desaparecimentos de opositores. Os jovens do período manifestavam-se de diversas formas, mas os músicos ganharam bastante destaque e muitos deles foram exilados.

 

13) Marechal Castello Branco (1964 – 1967):

As principais marcas do governo de Castello Branco foi o Ato Institucional n°1, que entre outras coisas, determinou que as próximas eleições para presidente seriam indiretas, ou seja, sem a participação da população.

O Ato Institucional n°2 criou o bipartidarismo, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que era a oposição. O Ato Institucional n°3, foi mais um golpe contra a democracia, pois os gover­nadores seriam escolhidos pelos deputados e os prefeitos de cada município por sua vez deveriam ser escolhidos pelos governadores. Em outras palavras, a população não escolhia nenhum de seus principais representantes. O povo passou a fazer uma série de críticas, sobretudo dizendo que os atos não seguiam a constituição. Logo Castello Branco editou o Ato Institucional n°4, estabelecendo uma nova cons­tituição e legalizando os atos institucionais anteriores.

 

14) Marechal Artur da Costa e Silva (1967 – 1969):

Foi um governo marcado pelo endurecimento do sistema e muitas manifestações, principalmente dos mais jovens. Alguns desses movimentos optaram pela luta armada contra o Regime Militar. Para conter esses movimentos o governo editou o Ato Insti­tucional n°5, o mais famoso dos atos, conhecido como AI-5. Através desse ato o presidente poderia fechar todo o legislati­vo e o poder do executivo passou a ser maior que o judiciá­rio. Além disso, a imprensa passou a ser muito censurada.

 

15) General Emílio Médici (1969 – 1974):

Este governo foi marcado por forte repressão aos opositores, com varias prisões, pessoas torturadas e desaparecidas. Economicamente, tivemos o primeiro Plano Nacional de Desenvolvimento, onde gigantescas construções começaram a ser realizadas ou foram concluídas, como a ponte Rio-Nite­rói, a usina de Itaipu e a Transamazônica.

É verdade que o Brasil passou a crescer muito nesse período, mas não podemos esquecer que foi graças a empréstimos internacionais. Embora muito repressor esse governo ganhou popularidade, pois além do crescimento econômico, tivemos algumas im­portantes conquistas esportivas. A seleção foi tricampeã em 1970, Emerson Fittipaldi foi bicampeão na F-1 e Eder Jofre foi campeão mundial no boxe.

 

16) General Ernesto Geisel (1974 – 1979):

Aqui tivemos o início da abertura, que segundo o presiden­te aconteceria lentamente, para poder ser controlada evi­tando a volta dos subversivos. Ainda assim, tivemos muitas mortes e presos políticos. Economicamente tivemos o Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento, onde a construção civil e o setor energé­tico do país passaram a receber muitos investimentos. Para reduzir a dependência do petróleo internacional, que passa­va por várias crises e elevação dos preços, o governo instituiu o Proálcool, quando o Brasil tornou-se o primeiro país do mundo a usar o álcool como combustível.

 

17) General João Baptista de Oliveira Figueiredo (1979 – 1985):

Figueiredo deu continuidade ao processo de abertura polí­tica, concedendo anistia e a volta do pluripartidarismo. A censura passou a ser cada vez menor e as críticas sobre as dificuldades econômicas do governo aumentaram. Surge a campanha “Diretas Já”, propondo uma emenda constitucional que permitisse o povo escolher o presidente. Essa proposta foi negada pelos militares, que indicaram dois candidatos. Paulo Maluf representando os militares e Tan­credo Neves, oposição. Este último saiu vencedor, mas por problemas de saúde morre antes de assumir. Em seu lugar assume o vice José Sarney. Foi o fim do regime militar.