[GER-LP] 19.1 – Apostila

ANÁLISE SINTÁTICA

1) Conceitos Iniciais:

⇒ Análise sintática é a parte da Gramática que estuda e classifica as orações e os termos de cada oração.

⇒ Frase é todo enunciado capaz de transmitir nossas ideias.

Exemplos:

Uma luta clara iluminava o céu.
Puxa! Que frio!
Socorro!

 

⇒ Oração é toda frase necessariamente construída em torno de um verbo.

Exemplos:

Por favor, volte para casa ainda hoje.
Uma lua clara iluminava o céu.
A triste notícia foi transmitida de manhã.

 

⇒ Período é a frase formada por uma ou mais orações.

O período pode ser:
i) Simples: formado por uma única oração

Exemplo:

Naquele dia, todos voltaram cedo.

 

ii) Composto: formado por duas ou mais orações.

Exemplos:

Ele afirma / que você vencerá. (2 orações)
Ele tirou o brinquedo da gaveta / e verificou / que ele estava quebrado. (3 orações)

 

2) Sujeito e Predicado:

Em geral, uma oração é constituída por duas partes essenciais: o sujeito e o predicado.

Sujeito é o ser a respeito do qual afirmamos ou negamos alguma coisa.

Predicado é tudo aquilo que falamos a respeito do sujeito.

Exemplo:

 

3) Tipos de Sujeito:

a) Sujeito Simples

É aquele constituído por apenas um núcleo, isto é, a palavra mais importante, que contem a informação central.

Exemplo:

b) Sujeito Composto

É aquele que apresenta dois ou mais núcleos.

Exemplo:

 

c) Sujeito Oculto

É aquele que só se pode conhecer examinando a desinência ( = terminação) do verbo da oração.

Exemplos:

Chegaremos à cidade de manhã.
(chegaremos sujeito oculto “NÓS”)

Voltarás à casa de teus pais.
(voltarás sujeito oculto “TU”)

 

d) Sujeito Indeterminado

Ocorre quando não queremos ou não podemos indicar o sujeito da oração. Existem duas maneiras principais de se indeterminar o sujeito. São elas:

⇒ Usando o verbo na 3ª pessoa do plural.

Exemplos:

Atropelaram um cão na rua.
3ª plural

Atualmente falam muito mal de você.
                     3ª plural

Eles falam mal de você.

Em frases como essa, embora a forma verbal esteja na 3ª pessoa do plural (Falam), o sujeito não é indeterminado, pois sabemos quem pratica a ação, isto é, podemos determinar o sujeito: “ELES”

⇒ Usando o verbo na 3ª pessoa do singular acompanhado pelo pronome “SE”.

Exemplos:

Come-se bem naquele restaurante.

Acreditava-se ainda em assombrações?

Nesses casos, o pronome “SE” é chamado de índice de indeterminações do sujeito.

 

e) Oração sem sujeito (ou sujeito inexistente)

Ocorre, principalmente, com os seguintes verbos:

⇒ Haver (no sentido de existir, acontecer)

Exemplos:

Houve muita confusão. (haver = acontecer)
Não havia guardas lá. (haver = existir)

 

Fazer, ser e estar (com relação a tempo)

Exemplos:

Faz seis anos que ele desapareceu.
Estava muito frio de amanhã
Já eram duas horas da manhã.

 

Verbos indicativos de fenômenos da natureza

Exemplos:

Depois do almoço, choveu muito.
No inverno amanhece mais tarde.

Nota: Os verbos formadores de orações sem sujeito são chamados verbos impessoais e excluindo o verbo “SER”, ficam sempre na 3ª pessoa do singular.

 

4) Tipos de Verbos:

Dependendo de ter, ou não, sentido completo, os verbos são classificados em:

a) Verbo Intransitivo (V.I.)

É aquele que, por si mesmo, tem sentido completo, isto é, ele não exige nenhum complemento.

Exemplos:

Uma rosa nasceu.

verbo intransitivo

 

Nosso barco partiu.

verbo intransitivo

 

Pouco a pouco, chegaram   os vizinhos.

verbo intr.     sujeito

 

Nota: Esse tipo de verbo pode vir seguido de determinadas expressões que traduzem algumas circunstâncias, mas elas não são obrigatoriamente exigidas pelo verbo.
Ex.:

Aquele gato morreu. (de fome)

verbo intransitivo

 

b) Verbo Transitivo Direto (V.T.D.)

É todo verbo que, por não ter sentido completo, exige um complemento sem preposição. O termo sem preposição que completa verbo transitivo direto chama-se objeto direto.

Exemplos:

Nós alugamos   um velho caminhão.

V. T. D.               Obj. Direto

Todos receberão      o aviso.

V. T. D.      Obj Direto

 

c) Verbo Transitivo Indireto (V.T.I.)

É o verbo que exige um complemento obrigatoriamente iniciado pela preposição. Esse complemento é chamado objeto indireto.

Exemplos:

 

d) Verbo Transitivo Direto e Indireto (V.T.D.I.)

É o verbo que exige, ao mesmo tempo, dois objetos: um deles sem preposição (Objeto Direto) e outro com preposição (Objeto Indireto).

Exemplos:

Não diremos   a verdade   a você.

V. T. D. I.       O. D.           O. I.

Ele já enviou    a carta     para o amigo.

V. T. D. I.     O. D.             O. I.

 

e) Verbo de Ligação

É todo verbo que atribui ao sujeito uma qualidade, um estado ou modo de ser. Essa característica atribuída ao sujeito chama-se predicativo.
Os verbos são: ser, estar, parecer, permanecer, ficar, continuar, *andar.

Exemplos:

Os animais    estavam     cansados.

Sujeito     V. Ligaç.     Pred. Suj.

 

O médico     continua     doente.

Sujeito      V. Ligaç.      Pred. Suj.

 

*Obs.: Alguns verbos podem ser classificados como verbos de ligação mesmo possuindo outra classificação em outras frases.

Exemplos:

Ele andou de bicicleta.
V. Intr. – pois indica ação

Ele andou triste.
V. Ligaç. – pois indica um estado emocional

 

5) Objeto Direto (O.D.):

Conforme já ficou explicado anteriormente, objeto direto é o complemento de verbos que aparece, normalmente, sem preposição.

Exemplo:

Aquele cachorro matou    um coelho.

V. T. D.     O. D.

 

a) Características do objeto direto

⇒ Só oração que tem verbo transitivo direto e, portanto objeto direto, é que pode ser passada para a voz passiva (há exceções). Quando fazemos essa transformação, o objeto direto da voz ativa passa a ser sujeito da voz passiva.

Exemplo:

 

Os pronomes oblíquo “O”, “A”, “OS”, “AS” funcionam sempre como objeto direto.

Exemplo:

Observe que, na passagem para a voz passiva, a preposição desaparece.

Ambos foram molhados pela chuva.

Sujeito

 

Objeto direto pleonástico. É uma forma mais enfática de nos expressarmos. Destacamos o objeto direto, colocando-o no início da frase, depois repetimos o mesmo objeto direto, usando um pronome oblíquo; ele será o pleonástico (enfático, redundante).

Exemplo:

As meninas, ninguém as viu.

O. Direto                  O.D. Prepos.

Nota: Deslocamos algum termo da oração geralmente com a intenção de enfatizá-lo.

 

6) Objeto Indireto (O.I.):

É o complemento verbal que, obrigatoriamente, apresenta preposição.

Exemplos:

Todos gostavam de futebol.

V. T. Ind.         Obj. Ind.

Ela se referiu    a você.

V.T.Ind.    Obj. Ind.

 

Os pronomes oblíquos lhe e lhes são sempre objetos indiretos.

Exemplos:

Enviei o livro a ele ⇒ Enviei-lhe o livro.

 

a) Objeto indireto pleonástico

A mim me basta o amor.

Obs.: A repetição das palavras através da figura de linguagem “pleonasmo”, tem o objetivo de enfatizar uma ideia.

b) Função sintática dos pronomes oblíquo

o, a, os, as – são sempre objeto direto.

 Lhe, lhes –são sempre objeto indireto

Exemplo:

Nós jamais lhes obedeceremos.

 

me, nos, te, vos, se – podem ser objeto direto ou objeto indireto, dependendo do verbo que completam.

o(s), a(s) – O.D. A ele(s), A ela(s) – O.I.
Lhe(s) – O.I. Me, te, se, nos, os – O.I.

Trocar o pronome desejado ( me, nos, te, vos, se) por um substantivo masculino (homem, menino, livro, etc). Se, antes do substantivo aparecer preposição, o pronome em estudo será objeto indireto. Se não aparecer preposição, ele será objeto direto.

Exemplos:

Meu amigo me viu no bosque.
(fazendo a troca, temos)

Meu amigo viu o menino.

O. D.

Logo “me” é objeto direto no exemplo acima.

 

Todos nos obedeceram.
(fazendo a troca, temos)

Todos obedeceram ao homem.

O. I.

Logo“nos” é objeto indireto no exemplo acima.

 

7) Agente da Voz Passiva:

É o ser que pratica a ação verbal quando a frase está na voz passiva. Na maioria das vezes, apresenta a preposição “por” (pelo), outras vezes apresenta a preposição “de”.

Exemplos:

O leão foi morto pelo caçador.

Ag. Passiva

O exercício é feito por nós.

Ag. Passiva

Sua fama é conhecida de todos.

Ag. Passiva

 

Nota: O agente da passiva corresponde ao sujeito da ativa.

Exemplo:

Para transformar a voz passiva em voz ativa é preciso seguir os seguintes passos:

  1. O objeto direto da voz ativa vira sujeito paciente da voz passiva analítica.
  2. O sujeito da voz ativa vira agente da passiva na voz passiva analítica.
  3. O verbo da voz ativa fica no particípio e um verbo auxiliar entra no tempo em que o verbo principal estava.

Exemplo:

Paciente no Pretérito Perfeito/Agente da passiva + particípio

 

8) Adjunto Adverbial:

É o termo que modifica o sentido de um verbo, acrescentando-lhe uma circunstância qualquer. Os principais adjuntos adverbiais são:

  1. De tempo: Hoje ele virá cedo.
  2. De negação: Não tente enganar-nos.
  3. De modo: Ele saiu às pressas.
  4. De causa: O gato morreu de fome.
  5. De lugar: Ela mora em Campinas.
  6. De dúvida: Talvez eles voltem.